John Locke
John Locke

John Locke nasceu em Wrington, na Inglaterra, em 1632, formou-se em Oxford e exerceu a medicina antes de se tornar secretário e médico do conde de Shaftesbury, o que o aproximou da alta política inglesa. Envolvido nas disputas que opunham o Parlamento à coroa absolutista dos Stuart, exilou-se na Holanda durante o reinado de Jaime II e só voltou em 1689, com a Revolução Gloriosa, que consagrava o regime parlamentar que ele ajudaria a justificar filosoficamente. É considerado o pai do liberalismo clássico e uma das maiores influências do empirismo e do pensamento político moderno.

No Ensaio sobre o Entendimento Humano (1690), Locke ataca a doutrina das ideias inatas: a mente, ao nascer, é uma tábula rasa, uma folha em branco, e todo conhecimento provém da experiência — seja da sensação (os sentidos externos), seja da reflexão (a observação interna da própria mente). Distingue ainda as qualidades primárias dos corpos (extensão, forma, movimento), que existem neles objetivamente, das secundárias (cor, som, sabor), que dependem do sujeito que percebe.

Na política, exposta nos Dois Tratados sobre o Governo Civil (1689), Locke sustenta que os homens possuem, por natureza, direitos inalienáveis — à vida, à liberdade e à propriedade. O governo nasce de um contrato fundado no consentimento e existe apenas para proteger esses direitos; quando os viola, o povo tem legítimo direito de resistência. Defensor da separação de poderes e da tolerância religiosa, Locke forneceu o vocabulário das revoluções modernas: suas ideias ecoam diretamente na Declaração de Independência dos Estados Unidos (1776) e influenciaram Montesquieu, Rousseau e Kant.

Conceitos-chave

  • Tábula rasa: a mente ao nascer é uma folha em branco; todo conhecimento vem da experiência (sensação + reflexão). Sem ideias inatas (contra Descartes)
  • Qualidades primárias (objetivas: extensão, forma, movimento) vs. secundárias (subjetivas: cor, cheiro, sabor)
  • Direitos naturais inalienáveis: vida, liberdade e propriedade
  • Contrato social baseado no consentimento; se o governo viola os direitos naturais → direito à revolução
  • Separação de poderes: legislativo (supremo) + executivo/federativo
  • Tolerância religiosa: o Estado não deve regular a consciência

Influenciado por

  • Francis Bacon — método empírico
  • Descartes — como contraponto
  • Newton — modelo científico

Influenciou

  • Hume — aprofunda o empirismo
  • Rousseau e Montesquieu — teoria política
  • Declaração de Independência dos EUA (1776) — Jefferson era lockiano
  • Kant — direitos e autonomia

Obras

Ensaio sobre o Entendimento Humano (1690); Dois Tratados sobre o Governo Civil (1689); Carta sobre a Tolerância (1689).

Ver também

Racionalismo e Empirismo | Contratualismo

Livros indicados:

Capa do livro Uma história da filosofia - Vol.II - do Renascimento a Hume Uma história da filosofia - Vol.II - do Renascimento a Hume Ver na Amazon →