Lewis Mumford
Lewis Mumford

Lewis Mumford nasceu em Flushing, no bairro do Queens, em Nova York, em 19 de outubro de 1895, e morreu em Amenia, Nova York, em 26 de janeiro de 1990. Estudou no City College of New York e na New School for Social Research, mas nunca concluiu um diploma formal — a tuberculose contraída na juventude interrompeu seus estudos, e mais tarde ele serviu como eletricista de rádio na Marinha dos Estados Unidos durante a Primeira Guerra Mundial. Autodidata de formação eclética, Mumford construiu uma das obras mais influentes do século XX sobre a história da técnica, da cidade e da arquitetura, atuando também como editor associado da revista The Dial e, por mais de três décadas, como crítico de arquitetura da The New Yorker. Sua formação intelectual deve mais a Patrick Geddes — o urbanista e biólogo escocês que Mumford chamava de seu “mestre declarado” — do que a qualquer instituição acadêmica; de Geddes herdou a distinção entre fases técnicas da história e uma abordagem holística que integra biologia, sociologia e tecnologia. Absorveu também de Thorstein Veblen a crítica da propriedade absenteísta e da produção perdulária, e de Peter Kropotkin e Ebenezer Howard o ideal de um urbanismo regionalista e cooperativo.

Em Technics and Civilization (1934), sua obra fundadora sobre a história social da técnica, Mumford propôs uma periodização em três fases: a eotécnica (predominante até cerca de 1750, baseada na madeira, na água e no vento), a paleotécnica (1750–1900, baseada no carvão e no vapor, marcada por exploração e poluição) e a neotécnica (a partir de 1900, baseada na eletricidade e em ligas de precisão, com potencial — ainda não realizado — de eficiência sem desperdício). Décadas depois, em The Myth of the Machine, publicado em dois volumes — Technics and Human Development (1967) e The Pentagon of Power (1970) —, Mumford radicalizou sua crítica ao propor o conceito de megamáquina: grandes organizações hierárquicas que tratam seres humanos como peças mecânicas intercambiáveis, desde as pirâmides egípcias e os impérios antigos até o Estado nuclear-militar contemporâneo. Entre essas duas obras, publicou The City in History (1961), premiada com o National Book Award, síntese monumental da história urbana ocidental; foi também um crítico feroz das políticas de renovação urbana e das autoestradas promovidas por Robert Moses em Nova York.

Conceitos-chave

  • Eotécnica, paleotécnica, neotécnica — periodização da história da técnica proposta em Technics and Civilization (1934), herdada e desenvolvida a partir do esquema de Patrick Geddes.
  • Megamáquina — em The Myth of the Machine (1967–1970), grandes sistemas sociais hierárquicos e coercitivos (do Egito faraônico ao Estado nuclear moderno) que funcionam como uma única máquina composta de seres humanos.
  • Técnica autoritária vs. técnica democrática — distinção entre tecnologias centralizadas, hierárquicas e voltadas ao poder (autoritárias) e tecnologias descentralizadas, orientadas às necessidades humanas e comunitárias (democráticas).
  • Biotécnica vs. megatécnica — crítica à tecnologia moderna voltada à expansão ilimitada e à obsolescência planejada (megatécnica), em favor de tecnologias que respeitam o equilíbrio ecológico e a escala humana (biotécnica).
  • A cidade como registro civilizacional — em The City in History (1961), a cidade é analisada como o principal artefato cumulativo da civilização humana, capaz tanto de conter quanto de amplificar as patologias do poder.

Influenciado por

  • Patrick Geddes — seu “mestre declarado”; a periodização técnica e a abordagem holística da técnica como fenômeno biológico e social
  • Thorstein Veblen — crítica da propriedade absenteísta e da economia do desperdício
  • Peter Kropotkin e Ebenezer Howard — regionalismo cooperativo e urbanismo de cidades-jardim
  • Oswald Spengler — o método morfológico de escrever filosofia moral sob a forma de história, adaptado por Mumford em suas fases técnicas

Influenciou

  • Jacques Ellul — cuja La Technique ou l’enjeu du siècle (1954) discute e responde criticamente às teses de Technics and Civilization
  • E. F. Schumacher e a ideia de tecnologia em escala humana (Small Is Beautiful, 1973)
  • Murray Bookchin e a ecologia social
  • O movimento ambientalista e a crítica ao planejamento urbano rodoviarista, em especial a oposição a Robert Moses em Nova York

Obras

The Story of Utopias (1922); Technics and Civilization (Técnica e Civilização, 1934); The Culture of Cities (1938); The City in History (A Cidade na História, 1961); The Myth of the Machine, Vol. I: Technics and Human Development (O Mito da Máquina, vol. I, 1967); The Myth of the Machine, Vol. II: The Pentagon of Power (O Mito da Máquina, vol. II, 1970).

Ver também

Jacques Ellul, Günther Anders, Filosofia da Técnica