
Leo Strauss nasceu em Kirchhain, Hesse, Alemanha, em 20 de setembro de 1899, em família judaica, e morreu em Annapolis, Maryland, em 18 de outubro de 1973. Doutorou-se em Hamburgo em 1921, sob orientação de Ernst Cassirer, trabalhou na Academia para a Pesquisa Judaica em Berlim e, com a ascensão do nazismo, deixou a Alemanha em 1932 com uma bolsa Rockefeller, passando por Paris e Inglaterra antes de se fixar nos Estados Unidos. Lecionou na New School for Social Research (1938–1949) e na Universidade de Chicago (1949–1968), encerrando a carreira no Claremont Men’s College e no St. John’s College, em Annapolis.
Strauss defendeu o retorno ao estudo cuidadoso dos clássicos da filosofia política, de Platão e Xenofonte a Maimônides, Farabi e Maquiavel, lidos com atenção à forma literária. Sua questão central é o que chamou de “problema teológico-político”, a tensão entre a pretensão da filosofia à verdade racional e a exigência de obediência da cidade e da revelação, simbolizada na fórmula “Atenas e Jerusalém”.
Conceitos-chave
- Escrita esotérica — em A Perseguição e a Arte de Escrever (1952), Strauss sustenta que, em contextos de perseguição, autores filosóficos teriam disposto suas teses mais heterodoxas de modo a serem percebidas apenas por leitores cuidadosos, mediante contradições deliberadas, omissões e disposição do texto; a leitura exige atenção a essa distinção entre sentido exotérico e esotérico.
- Direito natural clássico vs. moderno — em Direito Natural e História (1953), a partir das Walgreen Lectures de Chicago, contrapõe o direito natural clássico (baseado em fins) ao moderno de Hobbes e Locke (baseado em direitos do indivíduo), e critica o historicismo e a distinção positivista entre fatos e valores, identificada com Max Weber.
- Crise da modernidade e “três ondas” — a modernidade política teria avançado em fases associadas a Maquiavel e Hobbes, a Rousseau e ao idealismo alemão, e a Nietzsche, com crescente relativização dos padrões do bem.
- Atenas e Jerusalém — a tensão irredutível entre filosofia e revelação como fonte da vitalidade da civilização ocidental.
- Filosofia política como investigação do melhor regime — a pergunta pelo melhor regime e pelo bem comum permanece, para Strauss, a questão central, não um mero objeto de estudo histórico.
Recepção e críticas
A tese da escrita esotérica é contestada por acadêmicos que a veem como difícil de falsificar, por permitir ler como esotérico o que o texto não afirma abertamente. A crítica de Strauss ao historicismo e a defesa do direito natural são questionadas por defensores do positivismo e do historicismo. A recepção política de Strauss foi controversa: Shadia Drury e outros o interpretaram como mentor de correntes conservadoras norte-americanas, enquanto estudiosos como Catherine e Michael Zuckert rejeitam essa leitura e a consideram uma caricatura de seus escritos. Convém separar a obra do filósofo da associação posterior de seus nomes a debates políticos contemporâneos.
Influenciado por
- Platão, Xenofonte, Farabi e Maimônides — leitura da filosofia política clássica e medieval
- Nietzsche e Heidegger — diagnóstico da crise da modernidade e radicalidade do problema do historicismo; Strauss assistiu aos cursos de Heidegger
- Carl Schmitt — Strauss escreveu em 1932 observações críticas a O Conceito do Político, que, segundo parte dos comentadores, influenciaram Schmitt na revisão do texto
- Hobbes — objeto de seu estudo The Political Philosophy of Hobbes (1936)
Influenciou
- Alunos e comentadores como Allan Bloom, Harry Jaffa e Seth Benardete
- O debate sobre direito natural, historicismo e esoterismo na teoria política
- Interlocução com Alexandre Kojève em Sobre a Tirania (1948) e com Eric Voegelin em extensa correspondência
Obras
Spinoza’s Critique of Religion (1930); Philosophie und Gesetz (1935); The Political Philosophy of Hobbes (1936); On Tyranny (1948); Persecution and the Art of Writing (1952); Natural Right and History (1953); Thoughts on Machiavelli (1958); What Is Political Philosophy? (1959); The City and Man (1964); Liberalism Ancient and Modern (1968).
Ver também
Platão, Carl Schmitt, Eric Voegelin, Hannah Arendt, Edmund Burke, Hobbes