Kwame Anthony Appiah
Kwame Anthony Appiah

Kwame Anthony Appiah nasceu em 8 de maio de 1954 em Londres, de pai ganês (Joe Appiah, advogado e político) e mãe britânica (Peggy Cripps). Cresceu em Kumasi, Gana, e estudou filosofia em Cambridge (BA e PhD). Lecionou em Yale, Cornell, Duke, Harvard e Princeton; atualmente é professor na New York University. Appiah é um dos filósofos mais versáteis e influentes do mundo anglófono contemporâneo, com contribuições à ética, à filosofia da linguagem, à filosofia da mente, à teoria racial e à filosofia política. É um dos pensadores que mais sistematicamente questionou os pressupostos do “racialismo” — a crença de que existem raças biológicas humanas dotadas de essências morais e intelectuais.

Conceitos-chave

  • Crítica ao racialismo e ao pan-africanismo racialista (In My Father’s House: Africa in the Philosophy of Culture, 1992): Appiah analisa as bases intelectuais do pan-africanismo de Du Bois, Crummell e outros e argumenta que elas repousam sobre um “racialismo” — a suposição de que as raças humanas são entidades biológicas reais dotadas de essências compartilhadas. Appiah sustenta, com base nas ciências biológicas, que as raças humanas no sentido biológico-essencialista não existem. O pan-africanismo baseado na solidariedade racial é, para ele, filosoficamente insustentável. Propõe em seu lugar uma solidariedade baseada em história e projeto comum, não em essência biológica.

  • Crítica à etnofilosofia e ao afrocentrismo: Seguindo Hountondji, Appiah argumenta que a busca por uma “filosofia africana” essencialmente diferente da ocidental reproduz, de forma invertida, as premissas do racismo colonial. Não há razão filosófica para supor que africanos pensem de modo fundamentalmente diverso.

  • Identidade como narração (The Ethics of Identity, 2005): A identidade — nacional, racial, religiosa, de gênero — não é uma essência dada, mas uma construção narrativa. Os indivíduos têm interesse em narrar suas vidas com coerência, e as identidades coletivas fornecem recursos para essa narração. Mas as identidades também podem ser “gaiolas” que restringem a autonomia individual. Appiah defende um liberalismo que respeita as identidades sem as tratar como sagradas e imutáveis.

  • Cosmopolitismo (Cosmopolitanism: Ethics in a World of Strangers, 2006): Appiah defende um cosmopolitismo que reconhece dois valores aparentemente em tensão: (1) a universalidade das obrigações morais — todos os seres humanos importam, independentemente de onde vivem; (2) o valor legítimo das diferenças culturais e das comunidades particulares. O cosmopolitismo não exige uniformidade cultural nem indiferença às tradições locais; exige que tratemos as diferenças com curiosidade e respeito, não com hostilidade. Appiah chama essa posição de “cosmopolitismo enraizado” (rooted cosmopolitanism) ou “cosmopolitismo contaminado” — contra tanto o universalismo abstrato quanto o relativismo cultural.

  • Honor e revolução moral (The Honor Code: How Moral Revolutions Happen, 2010): Appiah examina como as revoluções morais (abolição da escravidão, fim dos duelos, abolição do bandage de pés na China) ocorrem — não apenas por argumentação racional, mas pela transformação do sentido de honra dos grupos que praticam o comportamento a ser reformado. A vergonha social e a honra são motores morais poderosos que os filósofos frequentemente ignoram.

  • Lies That Bind (The Lies That Bind: Rethinking Identity, 2018): Appiah examina as “mentiras” que as identidades coletivas — racial, religiosa, nacional, de classe, de gênero — frequentemente envolvem: simplifican diversidades internas, pressupõem essências inexistentes, constroem fronteiras artificiais. Mas as identidades também são inevitáveis e valiosas. O livro propõe uma ética da identidade que reconhece seus limites sem aboli-la.

Influenciado por

  • W.E.B. Du Bois — pan-africanismo (incorporado criticamente)
  • Paulin Hountondji — crítica à etnofilosofia
  • John Stuart Mill e o liberalismo analítico
  • Filosofia analítica britânica (Oxford, Cambridge)
  • Filosofia da linguagem (Frege, Russell, Wittgenstein)

Influenciou

  • Filosofia africana profissional contemporânea
  • Teoria crítica racial (debates sobre o conceito de raça)
  • Ética cosmopolita contemporânea
  • Filosofia da identidade e da cultura

Obras

Assertion and Conditionals (1985, tese de doutorado); For Truth in Semantics (1986); Necessary Questions: An Introduction to Philosophy (1989); In My Father’s House: Africa in the Philosophy of Culture (1992); Color Conscious: The Political Morality of Race (com Amy Gutmann, 1996); The Ethics of Identity (2005); Cosmopolitanism: Ethics in a World of Strangers (2006); Experiments in Ethics (2008); The Honor Code: How Moral Revolutions Happen (2010); Lines of Descent: W.E.B. Du Bois and the Emergence of Identity (2014); The Lies That Bind: Rethinking Identity (2018).

Ver também

Filosofia Africana Filosofia Analítica