Kimberlé Crenshaw
Kimberlé Crenshaw

Kimberlé Williams Crenshaw (nascida em 1959, em Canton, Ohio) é uma jurista norte-americana, professora de direito na UCLA e na Universidade Columbia. É uma das fundadoras da Teoria Crítica da Raça (Critical Race Theory) e a autora que cunhou o conceito de interseccionalidade, hoje central nos estudos de gênero, raça e filosofia política, mas originalmente formulado no terreno do direito antidiscriminatório.

O problema de que parte é prático e jurídico. Analisando casos de discriminação — em especial o caso DeGraffenreid v. General Motors (1976), em que mulheres negras foram juridicamente desamparadas porque a empresa contratava mulheres (brancas) e negros (homens) —, Crenshaw mostrou que os enquadramentos de eixo único (discriminação ou por raça ou por gênero) deixavam invisível a situação de quem está na interseção de mais de um eixo.

Sua proposta teórica é, portanto, que as opressões não se somam de forma linear: elas se cruzam e se transformam mutuamente, gerando experiências específicas. Conceito muito influente, a interseccionalidade também é objeto de críticas — por suposta vagueza metodológica e por, levada ao extremo, fragmentar o sujeito político —, debate que ela e seus continuadores procuram responder.

Conceitos-chave

  • Interseccionalidade (“Demarginalizing the Intersection of Race and Sex”, 1989; “Mapping the Margins”, 1991): a tese de que eixos de opressão (raça, gênero, classe, sexualidade) se entrecruzam e não podem ser tratados isoladamente; quem está na interseção sofre uma discriminação distinta, não a mera soma das partes.
  • Crítica ao “eixo único”: o direito antidiscriminatório e boa parte da teoria social pressupõem categorias puras (a “mulher” branca, o “negro” homem), invisibilizando os casos compostos.
  • Teoria Crítica da Raça: corrente jurídica que analisa como o direito produz e mantém hierarquias raciais, para além da intenção individual.
  • #SayHerName: campanha que ela ajudou a articular para dar visibilidade a mulheres negras vítimas de violência policial.

Influenciado por

  • A tradição do feminismo negro (de Sojourner Truth ao Combahee River Collective)
  • Os Critical Legal Studies e o jurista Derrick Bell
  • O movimento dos direitos civis e a teoria social crítica

Influenciou

  • Os estudos de gênero, raça e a filosofia política contemporânea
  • As políticas públicas e o vocabulário do debate sobre desigualdade
  • O direito antidiscriminatório

Obras

“Demarginalizing the Intersection of Race and Sex” (1989); “Mapping the Margins” (1991); coorganizadora de Critical Race Theory: The Key Writings (1995).

Ver também

Gayatri Spivak, Judith Butler, Simone de Beauvoir