
Josef Pieper nasceu em Elte, na Vestfália, em 4 de maio de 1904, e morreu em Münster em 6 de novembro de 1997. Estudou filosofia, direito e sociologia em Münster e Berlim e doutorou-se em 1928. Atuou inicialmente em pesquisa sociológica e como escritor independente e, a partir de 1959/1960, foi professor titular de antropologia filosófica na Universidade de Münster, onde lecionou por muitos anos. Recebeu em 1981 o Prêmio Balzan de Filosofia. Sua obra, escrita em estilo deliberadamente claro, avesso ao jargão acadêmico, tem como fonte principal Tomás de Aquino, lido em diálogo com Platão e Aristóteles, e dirige-se a questões da vida cotidiana: o trabalho, o tempo livre, as virtudes, a esperança, a linguagem.
Conceitos-chave
- Lazer (Muße) e culto — em Muße und Kult (1948; trad. inglesa Leisure, the Basis of Culture, 1952, com introdução de T. S. Eliot), Pieper sustenta que a cultura tem origem no lazer entendido não como mera pausa para recuperar forças de trabalho, mas como atitude contemplativa de receptividade à realidade, ligada historicamente ao culto e à festa. Critica o que chama de “mundo do trabalho total”, no qual o ser humano é reduzido à função de trabalhador.
- Filosofar como admiração — em Was heißt Philosophieren? (1948), retoma de Platão e Aristóteles a tese de que a filosofia nasce do espanto (thaumazein) diante do real, e de que o ato filosófico transcende o interesse utilitário.
- Virtudes cardeais — em estudos sobre a prudência (1937), a justiça (1953), a fortaleza e a temperança, reunidos em Das Viergespann (1964), segue Tomás ao tratar a prudência como a virtude que molda as demais, por referir a ação à realidade; a ética de Pieper é, nesse sentido, fundada na verdade do ser, tema de seu livro inicial Die Wirklichkeit und das Gute.
- Virtudes teologais — estudos sobre a fé, a esperança e o amor, entre eles Über die Hoffnung (1935). Na esperança, utiliza a imagem do homo viator, o ser humano em caminho, que também marca a obra de Gabriel Marcel.
- Linguagem e poder — em Missbrauch der Sprache, Missbrauch der Macht, ao retomar a crítica platônica à sofística, argumenta que a corrupção da palavra, quando esta deixa de servir à verdade, está ligada ao abuso do poder.
Influenciado por
- Tomás de Aquino, objeto de seu Hinführung zu Thomas von Aquin (1958) e de outros estudos
- Platão e Aristóteles, em particular sobre o espanto filosófico e as virtudes
- A tradição patrística e medieval em geral, que Pieper discute em Scholastik (1960)
Influenciou
- O debate contemporâneo sobre lazer, trabalho e educação, no qual Muße und Kult continua amplamente citado
- A retomada da ética das virtudes no pensamento católico de língua alemã e inglesa
- A divulgação do pensamento tomista para um público não especializado, com traduções para vários idiomas
Obras
Die Wirklichkeit und das Gute; Über die Hoffnung (1935); Traktat über die Klugheit (1937); Muße und Kult (1948); Was heißt Philosophieren? (1948); Über die Gerechtigkeit (1953); Hinführung zu Thomas von Aquin (1958); Scholastik (1960); Das Viergespann (1964); Missbrauch der Sprache, Missbrauch der Macht.
Ver também
Étienne Gilson, Jacques Maritain, Romano Guardini, Gabriel Marcel, Antonin Sertillanges