José Ortega y Gasset
José Ortega y Gasset

José Ortega y Gasset nasceu em Madri, em 9 de maio de 1883, e morreu na mesma cidade, em 18 de outubro de 1955. Estudou em Madri e, na Alemanha, sobretudo em Marburgo, onde teve contato com o neokantismo de Hermann Cohen e Paul Natorp. Em 1910 assumiu a cátedra de Metafísica da Universidade Central de Madri. Foi o principal animador da chamada geração de 1914, fundou a Revista de Occidente (1923) e atuou na vida pública republicana. Com a Guerra Civil, deixou a Espanha em 1936 e viveu no exílio (França, Argentina, Portugal) até o regresso à Espanha na segunda metade da década de 1940; em 1948 fundou, com Julián Marías, o Instituto de Humanidades, em Madri.

Seu projeto filosófico parte de uma crítica tanto ao idealismo quanto ao realismo ingênuo. Em Meditaciones del Quijote (1914) aparece a fórmula que resume sua posição: “Yo soy yo y mi circunstancia, y si no la salvo a ella no me salvo yo”. A vida humana, para Ortega, é a realidade radical: o encontro de um eu com um entorno concreto, que o constitui e que ele precisa transformar. Dessa tese decorre a razão vital, desenvolvida em obras como El tema de nuestro tiempo (1923) e En torno a Galileo (1933), e depois a razão histórica (Historia como sistema, 1941), segundo a qual compreender o humano exige narrar sua trajetória, e não defini-lo como uma substância fixa.

Na esfera social e política, España invertebrada (1921) diagnostica a fragilidade da coesão nacional espanhola, e La rebelión de las masas (1930, reunindo artigos publicados a partir de 1926) analisa o “homem-massa”: o indivíduo que, sem exigir nada de si mesmo, se sente idêntico a todos e rejeita a autoridade das minorias qualificadas. A obra é uma das mais lidas da filosofia espanhola e foi criticada, entre outros pontos, por seu tom elitista.

Conceitos-chave

  • Circunstância — o mundo concreto em que cada vida se desenrola; a vida é sempre “eu e minha circunstância” (Meditaciones del Quijote, 1914).
  • Razão vital — a razão não como faculdade abstrata, mas como função da vida, a serviço dela; superação, segundo Ortega, do racionalismo e do relativismo.
  • Razão histórica — a compreensão do ser humano pela sua história, em lugar de uma natureza fixa (Historia como sistema, 1941).
  • Perspectivismo — cada ponto de vista individual revela um aspecto da verdade, que se compõe pela soma das perspectivas, sem que isso implique relativismo (El tema de nuestro tiempo, 1923).
  • Ideias e crenças — as crenças são o solo em que se vive; as ideias, aquilo que se tem ou se produz (Ideas y creencias, 1940).
  • Homem-massa — tipo humano dominante na sociedade de massas, descrito em La rebelión de las masas.

Influenciado por

  • Nietzsche — a ideia de perspectiva e a valorização da vida
  • Husserl — a fenomenologia, que Ortega conheceu cedo e da qual se distanciou
  • Wilhelm Dilthey — a noção de vida e de historicidade
  • O neokantismo de Marburgo (Cohen, Natorp), de que partiu e que depois criticou
  • Heidegger — relação de interlocução e de disputa sobre a prioridade de temas como a existência concreta

Influenciou

  • Julián Marías — discípulo e principal continuador do raciovitalismo
  • Xavier Zubiri — formou-se com Ortega em Madri, mas desenvolveu um sistema próprio
  • María Zambrano — discípula, cuja razão poética nasce do diálogo e da divergência com o mestre
  • José Gaos e Manuel García Morente — discípulos que difundiram sua obra na Espanha e na América Latina

Obras

Meditaciones del Quijote (1914); España invertebrada (1921); El tema de nuestro tiempo (1923); La rebelión de las masas (1930); En torno a Galileo (1933); Ideas y creencias (1940); Historia como sistema (1941); póstumas: ¿Qué es filosofía? e El hombre y la gente (1957).

Ver também

Miguel de Unamuno, Xavier Zubiri, María Zambrano, Heidegger, Husserl