John Stuart Mill
John Stuart Mill

Nascido em Londres em 1806, John Stuart Mill foi submetido pelo pai, James Mill, a uma educação extraordinariamente precoce e rigorosa — concebida pelo círculo de Bentham para formar um pensador utilitarista: aprendeu grego aos três anos e devorava clássicos e economia na infância. Aos vinte, sofreu uma profunda crise existencial, da qual se recuperou em parte pela poesia romântica — experiência que o levou a corrigir o utilitarismo árido em que fora criado. Foi também economista, deputado e companheiro intelectual de Harriet Taylor. Tornou-se o mais influente liberal do século XIX.

Em ética, Mill aprimora o utilitarismo de Bentham: o bem é a maior felicidade do maior número, mas a felicidade não se mede apenas pela quantidade de prazer. Há prazeres superiores (intelectuais, morais, estéticos) e inferiores, e os primeiros valem mais — “é melhor ser um Sócrates insatisfeito do que um tolo satisfeito”.

Sua obra política mais célebre, Sobre a Liberdade (1859), formula o princípio do dano: o único motivo legítimo para limitar a liberdade de alguém é impedir que ele cause dano a outros; sobre si mesmo, cada indivíduo é soberano. Daí sua defesa apaixonada da liberdade de expressão — mesmo as opiniões falsas devem circular, pois a verdade só se fortalece no confronto. Pioneiro também do feminismo liberal (A Sujeição das Mulheres, 1869), Mill moldou o liberalismo moderno, a filosofia do direito e os debates sobre autonomia individual que seguem vivos até hoje.

Conceitos-chave

  • Utilitarismo qualitativo: contra Bentham, Mill distingue prazeres superiores (intelectuais, morais) de inferiores (físicos) — “É melhor ser Sócrates insatisfeito do que um tolo satisfeito”
  • Princípio da utilidade: a ação correta é a que produz a maior felicidade para o maior número — mas a felicidade é mais do que prazer bruto
  • Princípio do dano (harm principle, Sobre a Liberdade, 1859): o único limite legítimo à liberdade individual é prevenir dano a terceiros; a sociedade não pode coagir o indivíduo para seu próprio bem
  • Liberdade de expressão: o livre debate é essencial — mesmo opiniões erradas contribuem para testar e fortalecer as verdades; a censura é sempre danosa
  • Indução e lógica: Sistema de Lógica (1843) — metodologia das ciências; os cinco cânones do método indutivo (concordância, diferença, variação concomitante etc.)
  • Feminismo: A Sujeição das Mulheres (1869) — defende igualdade legal e política entre os sexos com argumentos liberais

Influenciado por

  • Bentham — utilitarismo (mas critica e aprofunda)
  • Locke e Rousseau — liberdade e direitos
  • Kant — moralidade e dignidade (influência indireta)
  • Samuel Taylor Coleridge — romantismo e crítica do utilitarismo vulgar
  • Harriet Taylor — parceira intelectual, influência no feminismo

Influenciou

  • Liberalismo político moderno
  • Habermas — esfera pública e debate racional
  • Feminismo liberal (Betty Friedan)
  • Filosofia do direito e bioética (princípio do dano)

Obras

Sistema de Lógica (1843); Princípios de Economia Política (1848); Sobre a Liberdade (1859); Utilitarismo (1863); A Sujeição das Mulheres (1869).

Ver também

Filosofia do Século XIX

Livros indicados:

Capa do livro Da Liberdade Individual e Econômica: Princípios e Aplicações do Pensamento Liberal Da Liberdade Individual e Econômica: Princípios e Aplicações do Pensamento Liberal Ver na Amazon → Capa do livro Considerações Sobre o Governo Representativo Considerações Sobre o Governo Representativo Ver na Amazon → Capa do livro O utilitarismo O utilitarismo Ver na Amazon → Capa do livro Sobre a Liberdade Sobre a Liberdade Ver na Amazon → Capa do livro Essencial da Economia - Box 3 Livros Essencial da Economia - Box 3 Livros Ver na Amazon → Capa do livro Uma história da filosofia - Vol. IV - do utilitarismo a Sartre Uma história da filosofia - Vol. IV - do utilitarismo a Sartre Ver na Amazon →