Imre Lakatos
Imre Lakatos

Imre Lakatos foi um filósofo da ciência e da matemática húngaro-britânico, professor na London School of Economics e uma das figuras centrais do debate sobre racionalidade científica nas décadas de 1960 e 1970. Sua obra busca uma posição intermediária entre o falsificacionismo de Popper e a visão histórica de Kuhn: contra a ideia de que uma única refutação derruba uma teoria, mas também contra a ideia de que mudanças científicas seriam meras “conversões” irracionais. Lakatos propôs que a unidade de avaliação científica não é a teoria isolada, mas o programa de pesquisa, julgado ao longo do tempo por sua capacidade de antecipar fatos novos. Foi também um filósofo da matemática original, mostrando em Provas e Refutações que o conhecimento matemático cresce por um processo dinâmico de conjecturas, demonstrações e contraexemplos, e não por dedução pura e acabada.

Conceitos-chave

  • Programa de pesquisa científica (The Methodology of Scientific Research Programmes, artigos dos anos 1960–70, reunidos postumamente em 1978): a unidade de análise não é a teoria isolada, mas uma sequência de teorias ligadas por um plano comum de desenvolvimento.
  • Núcleo duro (hard core): conjunto de hipóteses fundamentais de um programa, protegidas da refutação por uma decisão metodológica dos cientistas.
  • Cinturão protetor (protective belt): hipóteses auxiliares que circundam o núcleo e que são ajustadas ou substituídas diante das anomalias, preservando o núcleo.
  • Heurística positiva e negativa: a heurística negativa proíbe dirigir a refutação contra o núcleo; a heurística positiva orienta como desenvolver e expandir o programa.
  • Programas progressivos e degenerativos (falsificacionismo sofisticado): um programa é progressivo quando antecipa fatos novos posteriormente corroborados, e degenerativo quando apenas faz ajustes ad hoc para acomodar anomalias — critério de demarcação dinâmico, avaliado ao longo do tempo.
  • Crescimento do conhecimento matemático (Provas e Refutações, 1976, póstumo): a matemática avança por conjecturas, provas e refutações — analisado a partir do teorema de Euler para poliedros —, contra o formalismo e o dedutivismo.

Influenciado por

  • Karl Popper — falsificacionismo, base que Lakatos revisa e sofistica.
  • Thomas Kuhn — a atenção à história real da ciência e às estruturas que persistem nas anomalias.
  • G. W. F. Hegel — a concepção dialética do desenvolvimento do conhecimento.
  • George Pólya — heurística e o estudo do raciocínio matemático.

Influenciou

  • A filosofia da ciência contemporânea e os debates sobre racionalidade e demarcação.
  • A metodologia de avaliação de teorias em ciências naturais e sociais.
  • Paul Feyerabend — interlocutor e adversário (planejaram o livro conjunto For and Against Method).
  • A filosofia da matemática pós-formalista, atenta à prática matemática efetiva.

Obras

Sua contribuição à filosofia da matemática está em Provas e Refutações (Proofs and Refutations, 1976, póstumo), originalmente publicado como série de artigos. Na filosofia da ciência, seus ensaios sobre a metodologia dos programas de pesquisa foram reunidos postumamente em The Methodology of Scientific Research Programmes (1978). Dirigiu, com Alan Musgrave, o volume Criticism and the Growth of Knowledge (1970), que reúne os trabalhos do colóquio de 1965 com Popper e Kuhn.

Ver também

Karl Popper, Thomas Kuhn, Paul Feyerabend