
Nascido em Stuttgart em 1895, Max Horkheimer foi a alma organizadora da Escola de Frankfurt: em 1930 assumiu a direção do Instituto de Pesquisa Social e reuniu em torno de si pensadores como Adorno, Marcuse e Walter Benjamin. Judeu e marxista, exilou-se nos Estados Unidos durante o nazismo e, no pós-guerra, retornou a Frankfurt, onde foi reitor. Morreu em 1973.
Foi Horkheimer quem definiu o programa da Teoria Crítica, em um ensaio de 1937. Ele distingue a teoria tradicional — descritiva, especializada, que aceita o mundo como dado — da teoria crítica, que se sabe parte da sociedade que estuda, recusa-se a separar fato e valor e se orienta para a emancipação humana. A teoria, aqui, não é contemplação neutra, mas instrumento de transformação.
Seu diagnóstico mais influente, elaborado em parte com Adorno, é o da razão instrumental. A razão moderna, que prometia esclarecimento, teria se reduzido a puro cálculo de meios eficientes, esquecendo a pergunta pelos fins e pelo que é justo — uma “razão” que serve igualmente à ciência e à dominação. Em Eclipse da Razão (1947), Horkheimer mostra como essa degradação prepara o terreno para o autoritarismo. Na maturidade, descrente da revolução, voltou-se para uma melancólica esperança quase teológica de que a injustiça não tivesse a última palavra. Sua obra moldou Adorno e abriu caminho para Habermas.
Conceitos-chave
- Teoria Crítica (1937): distingue teoria tradicional (descritiva, especializada) de teoria crítica (reflexiva, totalista, orientada à emancipação humana)
- Razão Instrumental (Eclipse da Razão, 1947): a razão objetiva (que orienta fins, determina o que é bom) foi eclipsada pela razão instrumental (que calcula apenas meios eficientes). “A doença da razão nasceu da necessidade de dominar a natureza”
- Fascismo como verdade da modernidade: “O fascismo é a verdade da sociedade moderna” — revela o que o capitalismo esconde
- Fase tardia: descrença na revolução; esperança teológica — a injustiça não deve ter a última palavra
Influenciado por
- Marx — crítica do capitalismo (mas supera o marxismo dogmático)
- Hegel — totalidade e dialética
- Freud — inconsciente e repressão
Influenciou
- Adorno (colaborador central)
- Habermas — 2.ª geração da Escola de Frankfurt
Obras
Eclipse da Razão (1947); Dialética do Iluminismo (1947, com Adorno); Teoria Crítica (ensaios, 1968).
Ver também
Filosofia do Século XX
Livros indicados:
Uma história da filosofia - Vol. IV - do utilitarismo a Sartre
Ver na Amazon →