Henrique Cláudio de Lima Vaz, S.J., nasceu em Ouro Preto (MG) em 24 de agosto de 1921 e morreu em Belo Horizonte em 23 de maio de 2002. Ingressou na Companhia de Jesus em 1938, estudou filosofia no escolasticado jesuíta de Nova Friburgo e, a partir de 1945, em Roma, onde obteve a licenciatura na Pontifícia Universidade Gregoriana; foi ordenado padre em 1948 e doutorou-se em filosofia na mesma instituição em 1953, com uma tese sobre dialética e contemplação em Platão. É considerado um dos mais importantes filósofos brasileiros do século XX pelo alcance sistemático de sua obra.
Trajetória
Lecionou nas faculdades jesuítas de filosofia de Nova Friburgo (1953–1963), São Paulo (1963–1974), Rio de Janeiro (1975–1981) e Belo Horizonte (1982–2002), e foi professor da Universidade Federal de Minas Gerais de 1964 a 1986, onde se tornou professor emérito em 2001. Nos anos 1960 acompanhou, como assessor, a Juventude Universitária Católica e a Ação Popular, movimentos que buscavam conciliar fé cristã e engajamento social; nesse período, seus artigos também ofereceram uma análise crítica de Marx. Em sua obra madura, dedicou-se à construção de um sistema filosófico articulado em três grandes blocos: a metafísica e a história da filosofia, a antropologia filosófica e a ética.
Conceitos-chave
- Antropologia filosófica — em Antropologia Filosófica I (1991) e II (1992), Lima Vaz expõe a história das concepções do ser humano no Ocidente e propõe uma sistemática da estrutura do humano, articulada em categorias de estrutura (corpo próprio, psiquismo e espírito), relação (objetividade, intersubjetividade e transcendência) e unidade (realização).
- Ética filosófica — em Introdução à Ética Filosófica (I, 1999; II, 2000), reconstrói a tradição ética ocidental, da Grécia à modernidade, e defende que a ética se funda numa concepção do ser humano e de seu destino, em contraste com o que descreve como o esvaziamento metafísico da ética moderna.
- Relação de transcendência — na antropologia de Lima Vaz, a abertura do espírito ao Absoluto, que completa as relações de objetividade e de intersubjetividade e na qual se realiza a plenitude do ser humano.
- Crítica da modernidade — em Raízes da Modernidade (2002), publicada no ano de sua morte, examina as origens intelectuais do mundo moderno e as dificuldades de fundamentação do pensamento ético e metafísico na modernidade.
Influenciado por
- Platão, objeto de sua tese doutoral
- Tomás de Aquino, referência principal de sua metafísica
- Hegel, que informa sua leitura da história e da dialética
- Joseph Maréchal, de quem herda a tradição do tomismo transcendental
- Santo Agostinho, cuja máxima sobre fé e razão ele frequentemente retoma
Influenciou
- Gerações de professores e pesquisadores formados na UFMG e nas faculdades jesuítas, que fizeram de Belo Horizonte um polo de estudos de metafísica, antropologia e ética
- Os movimentos católicos de juventude e de ação social dos anos 1960, de que foi interlocutor
- Os debates brasileiros sobre fundamentação da ética e filosofia da cultura
Obras
Ontologia e História (1968); Escritos de Filosofia I–VII (1986–2002); Antropologia Filosófica I (1991) e II (1992); Introdução à Ética Filosófica I (1999) e II (2000); Experiência Mística e Filosofia na Tradição Ocidental (2000); Ética e Direito (2002); Raízes da Modernidade (2002).
Ver também
Tomás de Aquino, Mário Ferreira dos Santos, Miguel Reale, Francisco Suárez