Georg Lukács
Georg Lukács

Georg (György) Lukács (13 de abril de 1885, Budapeste — 4 de junho de 1971, Budapeste) foi um filósofo e crítico literário húngaro, fundador, com sua obra de 1923, daquilo que se chamaria marxismo ocidental. Nascido em família judaica abastada e assimilada, formou-se na cultura neokantiana alemã — foi próximo de Georg Simmel e Max Weber — antes de aderir ao comunismo em 1918. Foi comissário do povo para a educação e a cultura na efêmera República Soviética Húngara de 1919 e, décadas depois, ministro da cultura no governo de Imre Nagy durante a Revolução Húngara de 1956. Sua trajetória, atravessada por sucessivas autocríticas e por uma relação tensa com o stalinismo, vai da estética pré-marxista ao marxismo hegeliano e, por fim, a uma vasta Ontologia do Ser Social.

Conceitos-chave

  • Reificação (Verdinglichung): a contribuição mais influente de Lukács, em História e Consciência de Classe (1923). Estendendo o fetichismo da mercadoria de Marx e cruzando-o com a racionalização de Max Weber, Lukács sustenta que, no capitalismo, a forma-mercadoria contamina toda a vida social e a própria consciência: as relações entre pessoas assumem o caráter de relações entre coisas, e o mundo aparece como um conjunto de fatos fragmentados e quantificáveis.
  • Totalidade: contra essa fragmentação, a categoria de totalidade é “a portadora do princípio revolucionário na ciência”. Compreender a sociedade como um todo dinâmico, e não como fragmentos isolados, é o ponto de vista que a perspectiva burguesa não consegue alcançar.
  • O proletariado como sujeito-objeto idêntico da história: ao tomar consciência de si — de que é, ele mesmo, uma mercadoria —, o proletariado torna-se a classe capaz de apreender a totalidade e de abolir a reificação. Nele, sujeito e objeto do conhecimento histórico coincidem. (Tese de inspiração hegeliana que a III Internacional condenou como idealista, levando Lukács a renegá-la em parte.)
  • Consciência de classe imputada: a consciência revolucionária não é a opinião empírica dos trabalhadores, mas a consciência “imputada” (zugerechnet) — aquela que corresponderia à posição objetiva da classe se esta a apreendesse plenamente.
  • A estética do realismo: na fase madura, Lukács dedicou-se à teoria literária, defendendo o realismo (Balzac, Tolstói, Thomas Mann) contra o modernismo e o vanguardismo, no célebre debate com Brecht, Bloch e Adorno. Em A Destruição da Razão (1954), polêmica e controversa, traçou uma linhagem do irracionalismo alemão até o fascismo.

Influenciado por

  • Marx — o fetichismo da mercadoria e a crítica da economia política
  • Hegel — a dialética, a totalidade e o sujeito-objeto
  • Max Weber e Georg Simmel — a racionalização e a sociologia da cultura

Influenciou

  • A Escola de Frankfurt — Theodor W. Adorno, Walter Benjamin, Herbert Marcuse (a quem Lukács, anos depois, acusaria de habitar o “Grande Hotel Abismo”)
  • Antonio Gramsci e a tradição do marxismo ocidental
  • Lucien Goldmann e a sociologia da literatura
  • A teoria da reificação retomada por Axel Honneth

Obras

A Teoria do Romance (Die Theorie des Romans, 1916); História e Consciência de Classe (Geschichte und Klassenbewusstsein, 1923); O Romance Histórico (1937); A Destruição da Razão (1954); Estética e Para uma Ontologia do Ser Social (obras tardias).

Ver também

Marx, Antonio Gramsci, Louis Althusser