Gabriel Marcel
Gabriel Marcel

Gabriel Marcel nasceu em Paris em 7 de dezembro de 1889 e morreu na mesma cidade em 8 de outubro de 1973. Filósofo, dramaturgo, crítico teatral e músico, converteu-se ao catolicismo em 1929. Não fez carreira acadêmica convencional: ensinou por algum tempo no ensino médio, atuou como crítico e editor e escreveu cerca de trinta peças, que ele via como parte indissociável de seu trabalho filosófico. Proferiu as Gifford Lectures em Aberdeen (1949–1950), publicadas como Le Mystère de l’être (1951), e as William James Lectures em Harvard (1961–1962). Sua filosofia, em geral não sistemática, avança por meditações a partir da experiência concreta, e Journal métaphysique (1927), escrito em forma de diário, é o seu primeiro grande texto.

O rótulo “existencialismo cristão”, popularizado por Jean-Paul Sartre em O existencialismo é um humanismo, foi inicialmente aceito por Marcel e depois por ele repudiado, por considerar que o termo o aproximava de uma filosofia da qual divergia radicalmente.

Conceitos-chave

  • Problema e mistério — distinção central: um problema é uma questão externa, que pode ser objetivada e resolvida; um mistério é uma questão em que o sujeito está implicado e que não pode ser tratada como se ele estivesse de fora (o ser, a liberdade, o amor, a morte).
  • Reflexão primária e secundária — a reflexão primária analisa e abstrai, tratando o real como objeto; a secundária recupera a unidade da experiência vivida e é o método da filosofia concreta que Marcel defende.
  • Ser e ter — em Être et avoir (1935), contrasta a relação de posse, que objetiva e domina, com uma relação de ser, de participação; a vida moderna, segundo ele, tende a transformar o ser humano em portador de funções.
  • Disponibilidade e fidelidade — a disponibilidade (disponibilité) é a abertura ao outro; a fidelidade criadora é a perseverança no compromisso que não se reduz a uma regra, mas é resposta a um chamado.
  • Intersubjetividade — a relação “eu-tu” é anterior ao conhecimento de objetos; o outro não é um dado, mas uma presença à qual se responde. Esse tema aproxima Marcel de Martin Buber, embora o desenvolvimento seja independente.
  • Esperança — em Homo viator (1944), a esperança aparece como resposta ao desespero, enraizada na confiança no Ser, e não como mero otimismo.
  • Crítica à sociedade técnica — em Les hommes contre l’humain (1951) e em outros escritos, critica o “espírito de abstração” e a funcionalização da pessoa.

Influenciado por

  • Henri Bergson, pela valorização da experiência concreta
  • Josiah Royce, ao qual dedicou estudos e cuja noção de comunidade o marcou
  • O romance e o teatro como campos de elaboração conceitual

Influenciou

  • Paul Ricoeur, que lhe dedicou Gabriel Marcel et Karl Jaspers (1947) e participou das reuniões em torno de Marcel
  • A filosofia da pessoa e o personalismo francês, com Emmanuel Mounier
  • A filosofia do diálogo e a ética da alteridade do século XX, em paralelo a Emmanuel Lévinas
  • A reflexão cristã sobre esperança e a tradição existencial da filosofia da religião

Obras

Journal métaphysique (1927); Position et approches concrètes du mystère ontologique e Le monde cassé (1933); Être et avoir (1935); Du refus à l’invocation (1940); Homo viator (1944); Le mystère de l’être (1951); Les hommes contre l’humain (1951); L’homme problématique (1955).

Ver também

Karl Jaspers, Søren Kierkegaard, Jean-Paul Sartre, Josef Pieper, Jacques Maritain