Friedrich Hayek
Friedrich Hayek

Friedrich August von Hayek nasceu em Viena, em 8 de maio de 1899, e morreu em Freiburg im Breisgau, em 23 de março de 1992. Doutor em direito (1921) e em ciências políticas (1923) pela Universidade de Viena, formou-se no ambiente da Escola Austríaca de economia, sob influência de Carl Menger e de Ludwig von Mises. A partir de 1931 lecionou na London School of Economics, onde travou com John Maynard Keynes o debate sobre ciclos econômicos e política monetária; depois da guerra passou por Chicago (Comitê de Pensamento Social, a partir de 1950), Freiburg e Salzburgo. Em 1947 participou da fundação da Sociedade Mont Pèlerin. Em 1974 recebeu o Prêmio de Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel, dividido com Gunnar Myrdal, por seus trabalhos sobre teoria da moeda e flutuações econômicas e pela análise da interdependência dos fenômenos econômicos, sociais e institucionais.

Sua obra move-se da teoria econômica (Prices and Production, 1931) para a epistemologia das ciências sociais e para a filosofia política e jurídica. Em O Caminho da Servidão (1944), argumentou que o planejamento econômico central tende a corroer as liberdades individuais e o Estado de Direito; o livro admite, porém, funções estatais como uma rede mínima de proteção, o que o distingue de caricaturas libertárias.

Conceitos-chave

  • Conhecimento disperso — em “O Uso do Conhecimento na Sociedade” (1945), sustenta que o conhecimento relevante para a ação econômica está distribuído entre indivíduos, é em grande parte tácito e local, e não pode ser reunido por um planejador central; o sistema de preços funciona como mecanismo de comunicação dessa informação.
  • Ordem espontânea — ordens sociais (mercado, linguagem, direito consuetudinário) resultam da ação humana, mas não de um desígnio humano; Hayek distingue kosmos (ordem espontânea) de taxis (ordem organizada) e emprega o termo “catalaxia” para a ordem de mercado.
  • Racionalismo construtivista vs. evolutivo — crítica à pretensão de redesenhar as instituições pela razão, em favor de uma tradição que remonta a Hume, Adam Smith e Adam Ferguson.
  • Estado de Direito — regras gerais, abstratas e previsíveis, aplicadas igualmente, como condição da liberdade; liberdade é entendida como ausência de coerção arbitrária.
  • Crítica da “justiça social” — em Direito, Legislação e Liberdade (1973–1979), argumenta que, numa ordem espontânea, a distribuição de resultados não é fruto de intenção e, por isso, não pode ser qualificada de justa ou injusta.
  • Competição como procedimento de descoberta — o mercado como processo pelo qual se revelam informações que de outro modo permaneceriam desconhecidas.

Críticas

Keynes e keynesianos contestaram sua teoria do ciclo e sua oposição à política contracíclica. John Rawls e outros teóricos da justiça distributiva rejeitam a tese de que a justiça social seja uma noção vazia. Críticos apontam ainda que a ordem espontânea, tal como descrita, pode naturalizar desigualdades históricas e subestimar falhas de mercado e assimetrias de poder; sua abertura, em entrevistas dos anos 1980, a ditaduras de transição, no contexto chileno, foi alvo de forte controvérsia. Em Por que não sou conservador (posfácio de A Constituição da Liberdade), Hayek rejeitou o rótulo conservador e preferiu o de “velho whig”.

Influenciado por

  • Carl Menger e Ludwig von Mises — Escola Austríaca e crítica do cálculo econômico socialista
  • Hume e Adam Smith — filosofia moral escocesa e ordem espontânea
  • Karl Popper — amizade e afinidade no antiplanejamento utópico e no falibilismo
  • Kant — influência na concepção de regras gerais e universalizáveis (leitura de comentadores)

Influenciou

  • Milton Friedman e a Escola de Chicago, em convergências e divergências
  • Teóricos do direito e da escolha pública, como James Buchanan
  • Política econômica liberal das décadas de 1970–1980, por vezes citando Hayek de modo que seus comentadores consideram simplificador

Obras

Prices and Production (1931); O Caminho da Servidão (The Road to Serfdom, 1944); Individualism and Economic Order (1948); The Sensory Order (1952); The Counter-Revolution of Science (1952); A Constituição da Liberdade (The Constitution of Liberty, 1960); Direito, Legislação e Liberdade (Law, Legislation and Liberty, 3 vols., 1973–1979); A Arrogância Fatal (The Fatal Conceit, 1988).

Ver também

Karl Popper, Adam Smith, Hume, John Rawls, Edmund Burke, Hans Kelsen, John Stuart Mill