
Filósofo alemão; discípulo dissidente de Hegel. Sua crítica materialista e antropológica da religião foi o elo fundamental entre o idealismo hegeliano e o materialismo histórico de Marx. Inverteu Hegel ao dissolver a teologia em antropologia: o sujeito real da filosofia não é o Espírito, mas o homem sensível.
Conceitos-chave
- Crítica da religião como alienação: Deus não cria o homem — o homem cria Deus à sua imagem; a religião é a projeção das melhores qualidades humanas (amor, sabedoria, poder) num ser fictício separado e superior. O homem empobrece a si mesmo ao enriquecer Deus
- Antropologia como teologia: a teologia deve ser dissolvida em antropologia; o sujeito real da religião é o homem, não Deus. “Homo homini Deus” — o homem é o deus do homem
- Sensualismo materialista: contra o idealismo de Hegel, a realidade começa no sensível, no corporal, no natural; a consciência é função da matéria, não o contrário
- Intersubjetividade: o “eu” só existe em relação ao “tu”; a essência humana é fundamentalmente social e dialógica — precursor do personalismo e da ética do reconhecimento
- Crítica a Hegel: o Espírito Absoluto é mistificação — é o homem real abstraído e invertido; a filosofia deve descer do céu à terra
Influenciado por
- Hegel — dialética (mas inverte: matéria precede espírito)
- Spinoza — monismo e imanência
- Sensualismo iluminista (Condillac, La Mettrie)
Influenciou
- Marx — Teses sobre Feuerbach (1845): Marx supera Feuerbach; a crítica da alienação religiosa deve tornar-se crítica da alienação material
- Engels — materialismo dialético
- Bruno Bauer, Max Stirner — Jovens Hegelianos
- Ateísmo humanista do séc. XIX
Obras
A Essência do Cristianismo (1841); Princípios da Filosofia do Futuro (1843); A Essência da Religião (1845); Preleções sobre a Essência da Religião (1851).
Ver também
Filosofia do Século XIX
Livros indicados:
Uma história da filosofia - Vol. III - do Iluminismo francês a Nietzsche
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