Emmanuel Mounier
Emmanuel Mounier

Emmanuel Mounier nasceu em Grenoble em 1º de abril de 1905 e morreu em Châtenay-Malabry, nos arredores de Paris, em 22 de março de 1950. Estudou filosofia em Grenoble, onde foi aluno de Jacques Chevalier, e em Paris. Em 1932 fundou, com Georges Izard e outros colaboradores, a revista Esprit, que dirigiu até a morte e que se tornou o principal veículo do personalismo na França. Em agosto de 1941, o regime de Vichy proibiu a revista; Mounier foi preso em 1942 e depois liberado e absolvido. A publicação voltou a circular no pós-guerra. Morreu aos 44 anos, em plena atividade intelectual, deixando uma obra voltada menos à construção de um sistema do que à orientação de um movimento de ideias e de engajamento.

O personalismo de Mounier nasce da recusa simultânea de duas tendências que ele via como ameaças à pessoa: o individualismo liberal, que isolaria o indivíduo e o reduziria à busca de interesses próprios, e as formas coletivistas e totalitárias, que o absorveriam numa massa ou num aparelho. Em ambos os casos, a pessoa perderia o que lhe é próprio: a vocação, o compromisso e a abertura ao outro.

Conceitos-chave

  • Personalismo comunitário — doutrina segundo a qual a pessoa não é uma coisa nem uma parte, mas um centro de liberdade e de responsabilidade que só se realiza em comunidade; formulada em Révolution personnaliste et communautaire (1935) e Manifeste au service du personnalisme (1936).
  • Pessoa e indivíduo — o indivíduo seria a dispersão e o fechamento sobre si; a pessoa, ao contrário, existe na medida em que se compromete e se comunica. A pessoa escapa, em última análise, à objetivação, e por isso não se deixa reduzir a uma definição de tipo científico.
  • Engajamento — a pessoa se constitui em ação e em compromisso com o mundo, o que dá à reflexão de Mounier um viés prático, político e social, e justifica a participação dos intelectuais na vida pública.
  • Crítica da propriedade capitalista — em De la propriété capitaliste à la propriété humaine (1936), propõe uma reforma das formas de propriedade em função da dignidade da pessoa.
  • Diálogo com o existencialismo — em Introduction aux existentialismes (1946), examina o existencialismo cristão e o ateu e distingue o personalismo de ambos.
  • Síntese sistemática — Qu’est-ce que le personnalisme? (1947) e Le personnalisme (1949) oferecem a exposição mais didática de sua doutrina.

Influenciado por

  • Charles Péguy, referência moral e literária do grupo de Esprit
  • Henri Bergson, pela filosofia da vida e da criação
  • Jacques Maritain, cujo Humanismo integral é frequentemente comparado ao personalismo de Mounier, ainda que haja diferenças e divergências entre os dois

Influenciou

  • O pensamento católico social e político do pós-guerra, em particular o debate sobre pessoa e comunidade na democracia cristã europeia
  • Intelectuais ligados à revista Esprit, entre eles Paul Ricoeur e Jean-Marie Domenach, que mais tarde dirigiu a publicação
  • O personalismo como corrente filosófica e como referência de textos de doutrina social

Obras

Révolution personnaliste et communautaire (1935); Manifeste au service du personnalisme (1936); De la propriété capitaliste à la propriété humaine (1936); Traité du caractère (1946); Introduction aux existentialismes (1946); Qu’est-ce que le personnalisme? (1947); Le personnalisme (1949).

Ver também

Jacques Maritain, Gabriel Marcel, Nikolai Berdiáev, Søren Kierkegaard, Paul Ricoeur