Edith Stein
Edith Stein

Edith Stein nasceu em Breslau (atual Wrocław) em 12 de outubro de 1891, numa família judaica, e morreu em Auschwitz-Birkenau em 9 de agosto de 1942. Estudou em Göttingen a partir de 1913, onde se uniu ao círculo de Edmund Husserl, e doutorou-se com ele em Freiburg em 1916 com a tese Zum Problem der Einfühlung (publicada em 1917). Foi assistente de Husserl e preparou manuscritos para publicação, entre eles as lições sobre a consciência interna do tempo. Batizada na Igreja Católica em 1º de janeiro de 1922, lecionou em Speyer e, depois, no Instituto de Pedagogia Científica de Münster, até que as leis raciais nazistas puseram fim à sua atividade docente, em 1933. Em outubro desse ano ingressou no Carmelo de Colônia, tomando o nome de Teresa Benedita da Cruz, e em 1938 foi transferida para o convento de Echt, nos Países Baixos. Presa pela Gestapo em 2 de agosto de 1942, após a condenação do antissemitismo nazista pelos bispos holandeses, foi deportada com sua irmã Rosa e morreu em Auschwitz-Birkenau. Foi beatificada em 1º de maio de 1987 e canonizada por João Paulo II em 11 de outubro de 1998; a decisão suscitou debate sobre como compreender sua morte, se como martírio cristão ou como a de uma vítima judia da perseguição nazista.

Conceitos-chave

  • Empatia (Einfühlung) — em sua tese, analisa a empatia como o ato específico em que a vivência de outra pessoa é dada à consciência como vivência alheia, e não como própria; dialoga com Theodor Lipps, Max Scheler e com Husserl, e sua análise é referência central da fenomenologia da intersubjetividade.
  • Pessoa humana — em Beiträge zur philosophischen Begründung der Psychologie und der Geisteswissenschaften (1922) e nos textos posteriores sobre a constituição da pessoa (reunidos em Der Aufbau der menschlichen Person), descreve a pessoa como unidade de corpo, psique e espírito.
  • Comunidade e Estado — em Eine Untersuchung über den Staat (1925), aplica o método fenomenológico à análise da sociedade, da comunidade e do Estado.
  • Ser finito e ser eterno — em Endliches und ewiges Sein (concluída em 1937; publicada em 1950), procura confrontar a ontologia de Tomás de Aquino com a fenomenologia de Husserl e a analítica existencial de Martin Heidegger, cuja filosofia da existência analisa em apêndice.
  • Ciência da cruz — em Kreuzeswissenschaft (obra inacabada, publicada em 1950), estuda a teologia mística de João da Cruz.

Influenciado por

  • Edmund Husserl, de quem recebeu o método fenomenológico e de quem foi assistente
  • Adolf Reinach, filósofo do círculo de Göttingen
  • Max Scheler, com quem dialoga em sua análise da empatia
  • Tomás de Aquino, de quem traduziu para o alemão as Quaestiones disputatae de veritate (1931–1932)
  • Teresa de Ávila e João da Cruz, na dimensão espiritual de sua obra

Influenciou

  • A fenomenologia da empatia e da intersubjetividade, na qual Zum Problem der Einfühlung continua a ser discutida
  • A filosofia da pessoa e a antropologia filosófica de inspiração católica
  • A reflexão sobre educação e sobre a condição feminina, a partir de suas conferências e ensaios
  • Foi citada por João Paulo II entre os pensadores cristãos na encíclica Fides et ratio (1998) e proclamada co-padroeira da Europa em 1999

Obras

Zum Problem der Einfühlung (1917); Beiträge zur philosophischen Begründung der Psychologie und der Geisteswissenschaften (1922); Eine Untersuchung über den Staat (1925); Potenz und Akt (escrita em 1931; publicada em 1998); Endliches und ewiges Sein (1950); Kreuzeswissenschaft (1950); Aus dem Leben einer jüdischen Familie (escrita a partir de 1933; publicada postumamente).

Ver também

Edmund Husserl, Max Scheler, Martin Heidegger, Tomás de Aquino, Jacques Maritain, Simone Weil