Derek Parfit
Derek Parfit

Derek Parfit (11 de dezembro de 1942, Chengdu, China — janeiro de 2017, Oxford) foi um filósofo britânico, fellow do All Souls College de Oxford, considerado um dos mais importantes filósofos morais do final do século XX. Trabalhava de modo obsessivo e quase ascético, e publicou pouco — mas cada obra deixou marca profunda na filosofia da identidade pessoal, da racionalidade e da ética. Seu Razões e Pessoas (Reasons and Persons, 1984) é uma das obras-referência da filosofia analítica contemporânea.

Conceitos-chave

  • Reducionismo sobre a identidade pessoal: para Parfit, não existe um “eu” substancial e indivisível subjacente à experiência. Uma pessoa “consiste apenas” na existência de um cérebro e um corpo e na ocorrência de uma série de eventos físicos e mentais inter-relacionados. A identidade pessoal não é um fato adicional, profundo, para além desses fatos.
  • A Relação R e “o que importa”: a tese mais célebre de Parfit é que a identidade não é o que importa. O que importa na sobrevivência é a Relação R — a continuidade e a conexão psicológicas (memórias, intenções, traços de caráter). Experimentos mentais como a teletransportação e a divisão do cérebro mostram que a identidade pode ser indeterminada, ao passo que a Relação R basta para tudo o que de fato nos importa. Parfit relatava achar essa conclusão “libertadora e consoladora”, e notava sua afinidade com a doutrina budista do não-eu.
  • A Conclusão Repugnante: em ética populacional, Parfit demonstrou um paradoxo desconcertante: para qualquer população grande com altíssima qualidade de vida, parece haver uma população muito maior cujas vidas mal valem a pena viver que seria, segundo certos princípios, “melhor”. Buscou a vida toda uma “Teoria X” que evitasse essa conclusão — e confessou não tê-la encontrado.
  • O Problema da Não-Identidade: nossas escolhas (por exemplo, sobre políticas que afetam o futuro distante) determinam quem virá a existir; logo, um ato que torna a vida futura pior não prejudica nenhuma pessoa determinada, o que desafia as éticas centradas no dano a indivíduos.
  • A Teoria Tríplice (On What Matters, 2011): em sua obra final, Parfit argumenta que o kantismo, o contratualismo de Scanlon e o consequencialismo de regras, devidamente formulados, convergem — “escalam a mesma montanha por lados diferentes”. Defende ainda um realismo moral não-naturalista: há verdades normativas objetivas, ainda que não sejam fatos naturais.

Influenciado por

  • Henry Sidgwick — o utilitarismo e o método da ética
  • Kant — a fórmula da humanidade e a ética da razão
  • Hume e Locke — o problema da identidade do eu
  • John Rawls e Thomas Nagel — a filosofia moral e política analítica

Influenciou

  • A ética populacional e o debate sobre gerações futuras
  • O altruísmo eficaz e a ética prática contemporânea
  • Os debates sobre racionalidade prática e razões normativas
  • A discussão sobre identidade pessoal de Bernard Williams em diante

Obras

Razões e Pessoas (Reasons and Persons, 1984); Sobre o Que Importa (On What Matters, vols. I–II, 2011; vol. III, 2017).

Ver também

Bernard Williams, Thomas Nagel, Peter Singer