Carol Gilligan
Carol Gilligan

Carol Gilligan (nascida em 1936, em Nova York) é uma psicóloga e feminista norte-americana, professora na Universidade de Nova York (e, antes, em Harvard). É a principal responsável pela formulação da ética do cuidado (ethics of care), uma das contribuições mais discutidas da filosofia moral contemporânea, situada na fronteira entre a psicologia do desenvolvimento e a ética.

Seu ponto de partida foi uma crítica metodológica. Trabalhando junto ao psicólogo Lawrence Kohlberg, cujas etapas do desenvolvimento moral colocavam o raciocínio por princípios abstratos e universais no topo da escala, Gilligan observou que essas etapas haviam sido construídas a partir de amostras masculinas e que, nelas, as mulheres tendiam a “pontuar” mais baixo. Em vez de concluir por uma deficiência feminina, ela inverteu a questão: e se houvesse ali outra voz moral, igualmente legítima, que a escala de Kohlberg não sabia ouvir?

Em Uma Voz Diferente (1982), Gilligan opôs a uma “ética da justiça” — centrada em regras, direitos e imparcialidade — uma “ética do cuidado”, atenta às relações concretas, à responsabilidade e ao contexto. A tese alimentou um vasto campo de pesquisa, mas também fortes objeções: críticos questionaram seus dados e a generalização; outros a acusaram de essencialismo, por arriscar naturalizar estereótipos de gênero. A própria Gilligan esclareceu depois que a “voz diferente” é tematizada pelo gênero, mas não determinada biologicamente por ele.

Conceitos-chave

  • Ética do cuidado: uma perspectiva moral que parte da relação, da responsabilidade e da resposta às necessidades concretas do outro, em vez de partir apenas de princípios abstratos.
  • Ética da justiça × ética do cuidado: duas orientações morais — a primeira pensa em termos de regras e direitos iguais; a segunda, em termos de vínculos e contexto. Para Gilligan, são complementares, não excludentes.
  • Crítica a Kohlberg: as etapas do desenvolvimento moral, tidas como universais, refletiam uma amostra masculina e um viés a favor da “justiça”.
  • A “voz diferente”: não uma essência feminina, mas um modo de deliberar moral historicamente associado à experiência das mulheres.

Influenciado por

  • Lawrence Kohlberg — por contraste crítico
  • Jean Piaget — a psicologia do desenvolvimento
  • Nancy Chodorow e a psicanálise — a formação do self relacional
  • Simone de Beauvoir — a crítica da posição feminina

Influenciou

  • A ética do cuidado como campo (Nel Noddings, Virginia Held, Joan Tronto)
  • A filosofia moral, a ética do trabalho de cuidado e a bioética
  • A psicologia moral e a educação

Obras

Uma Voz Diferente (1982); Mapping the Moral Domain (1988); The Birth of Pleasure (2002); Joining the Resistance (2011).

Ver também

Simone de Beauvoir, Martha Nussbaum, Kant