
bell hooks — pseudônimo de Gloria Jean Watkins (Hopkinsville, Kentucky, 25 de setembro de 1952 — Berea, Kentucky, 15 de dezembro de 2021) — foi uma escritora, teórica feminista e crítica cultural norte-americana. Adotou o nome da bisavó, Bell Blair Hooks, e o grafou deliberadamente em minúsculas, para deslocar a atenção da autora para as ideias. Autora prolífica, escreveu sobre feminismo, raça, educação, cultura de massa e amor, sempre numa prosa acessível, voltada a um público amplo.
O problema central de sua obra é a cegueira do feminismo dominante quanto à raça e à classe. Em Não Serei Eu uma Mulher? (Ain’t I a Woman?, 1981) — título tomado da fala atribuída a Sojourner Truth —, hooks argumenta que o feminismo da segunda onda, ao falar em nome de “a mulher”, projetava na verdade a experiência da mulher branca de classe média, deixando de fora as mulheres negras e pobres.
Daí sua insistência em pensar as opressões de forma articulada — o que ela condensou na fórmula “patriarcado capitalista supremacista branco” — e em conceber o feminismo não como um clube identitário, mas como um projeto político de transformação. Influenciada por Paulo Freire, dedicou boa parte da obra à educação como prática de liberdade.
Conceitos-chave
- Feminismo como movimento: define o feminismo como “o movimento para acabar com o sexismo, a exploração sexista e a opressão” — uma luta política, não a afirmação de uma identidade ou a inversão da hierarquia.
- Interseção raça-classe-gênero: critica o feminismo branco por ignorar que gênero, raça e classe operam juntos; antecipa e dialoga com a interseccionalidade.
- “Patriarcado capitalista supremacista branco”: expressão que nomeia o entrelaçamento dos sistemas de dominação, recusando explicações monocausais.
- Pedagogia engajada (Ensinando a Transgredir, 1994): inspirada em Paulo Freire, uma educação que liga teoria e experiência e trata o aprender como prática de liberdade.
- O “olhar opositor”: a recusa crítica, por parte do espectador negro, das representações dominantes na cultura de massa.
Influenciado por
- Sojourner Truth e a tradição do feminismo negro
- Paulo Freire — a pedagogia do oprimido
- Malcolm X e Martin Luther King — o pensamento sobre raça e libertação
- O budismo — a dimensão espiritual do amor e da comunidade
Influenciou
- O feminismo negro e os estudos interseccionais
- A pedagogia crítica e os estudos culturais
- O debate público sobre amor, raça e cultura de massa
Obras
Não Serei Eu uma Mulher? (1981); Teoria Feminista: da Margem ao Centro (1984); Ensinando a Transgredir (1994); Tudo Sobre o Amor (2000).
Ver também
Simone de Beauvoir, Paulo Freire, Gayatri Spivak