
Nascido em Estagira, na Macedônia, por volta de 384 a.C., filho de Nicômaco — médico da corte macedônia —, Aristóteles ingressou aos dezessete anos na Academia de Platão, onde permaneceu cerca de vinte anos, até a morte do mestre. Mais tarde foi preceptor de Alexandre Magno e, em 335 a.C., fundou em Atenas o Liceu, escola cujos membros ficaram conhecidos como peripatéticos (do hábito de discutir caminhando). Com a morte de Alexandre e a onda antimacedônica, deixou Atenas em 323 a.C. — para que a cidade, segundo a tradição antiga, “não pecasse duas vezes contra a filosofia” — e morreu no ano seguinte em Cálcis. O conjunto de textos que herdamos dele é o maior e mais sistemático da Antiguidade, abrangendo lógica, física, biologia, psicologia, metafísica, ética, política, retórica e poética.
Sua originalidade está em trazer as Formas de volta ao mundo. Contra o dualismo de Platão, que situava as essências num plano separado, Aristóteles é imanentista: a forma está na própria coisa, unida à matéria (hilomorfismo). Para explicar a mudança, distingue ato e potência — o movimento é a passagem do que algo pode ser ao que efetivamente se torna — e identifica quatro causas (material, formal, eficiente e final) que respondem ao “porquê” de cada ente. No topo dessa física está o Motor Imóvel, causa final que move o cosmo eterno sem ser movido. Foi também o fundador da lógica formal: o Organon e a teoria do silogismo deram à dedução sua primeira estrutura rigorosa.
Na ética, o fim último da vida humana é a eudaimonia (florescimento, vida realizada), alcançada pelo exercício da virtude, entendida como justa medida (mesótes) entre dois excessos e guiada pela prudência (phrónesis). Como “animal político” (zóon politikón), o ser humano só se realiza plenamente na pólis. A influência de Aristóteles foi tão vasta que, na Idade Média, bastava dizer “o Filósofo” para que se soubesse de quem se tratava: comentado por Avicena e Averróis e incorporado ao cristianismo por Tomás de Aquino, moldou o vocabulário filosófico ocidental até hoje.
Conceitos-chave
- 4 causas: material, formal, eficiente, final
- Ato e potência: o movimento é passagem de potência a ato
- Motor Imóvel: Deus = pensamento do pensamento, causa final do universo eterno
- Ousia (substância): forma + matéria (sínolo)
- Eudaimonia: florescimento humano como fim último; virtude como mediania
- Silogismo: estrutura básica do raciocínio dedutivo
- Catarse: purificação das emoções pela tragédia
- Homem = animal político
Influenciado por
- Platão (mestre — dialoga e critica)
- Demócrito — empirismo e naturalismo
- Heráclito — devir; ato/potência
Influenciou
- Avicena — principal intérprete de Aristóteles (“o Filósofo”) no mundo árabe
- Averróis — “o Comentador”
- Tomás de Aquino — síntese com o cristianismo
- Alberto Magno — introdução no Ocidente medieval
- Ciência moderna (Galileu rejeita Aristóteles, mas parte dele)
- Hegel — lógica e dialética
Obras principais
Organon (lógica), Física, Metafísica, De Anima, Ética a Nicômaco, Política, Poética, Retórica.
Ver também
Sócrates, Platão e Aristóteles
Livros indicados:
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