Antonio Gramsci
Antonio Gramsci

Antonio Gramsci (22 de janeiro de 1891, Ales, Sardenha — 27 de abril de 1937, Roma) foi um filósofo, jornalista e dirigente comunista italiano, uma das figuras mais originais do marxismo do século XX. Em Turim, fundou o jornal L’Ordine Nuovo (1919) durante o movimento dos conselhos de fábrica, e em 1921 ajudou a fundar o Partido Comunista Italiano, do qual se tornou secretário-geral. Eleito deputado, foi preso pelo regime fascista em 1926; no julgamento, o promotor declarou que era preciso “impedir esse cérebro de funcionar por vinte anos”. Foi no cárcere, em condições penosas, que Gramsci escreveu sua obra decisiva — os Cadernos do Cárcere —, redigida entre 1929 e 1935 e publicada após sua morte.

Conceitos-chave

  • Hegemonia: o conceito central de Gramsci. Uma classe dominante mantém o poder não só pela coerção, mas sobretudo pela direção intelectual e moral — conquistando o consentimento dos governados, que passam a ver a ordem vigente como natural e justa. O domínio de classe é, portanto, coerção mais hegemonia.
  • Sociedade civil e sociedade política: a coerção reside na sociedade política (o Estado em sentido estrito — exército, polícia, tribunais); a hegemonia se constrói na sociedade civil (escolas, igrejas, imprensa, sindicatos, partidos), o terreno em que se forja o consenso.
  • Guerra de posição e guerra de movimento: no Ocidente, onde a sociedade civil é densa, a revolução não pode ser um assalto frontal ao Estado (guerra de movimento, à moda bolchevique), mas uma longa guerra de posição: uma luta cultural prolongada para conquistar a hegemonia antes do poder.
  • Intelectuais orgânicos e tradicionais: toda classe produz seus próprios intelectuais “orgânicos”, que lhe dão coerência e consciência; os intelectuais “tradicionais” (clero, acadêmicos) imaginam-se autônomos. “Todos os homens são intelectuais, mas nem todos têm a função de intelectuais.”
  • Bloco histórico e filosofia da práxis: o bloco histórico é a unidade orgânica entre estrutura econômica e superestrutura cultural que sustenta uma ordem. A filosofia da práxis — termo com que Gramsci designa o marxismo (também para driblar a censura) — sustenta que “todos são filósofos” e deve atuar sobre o senso comum das massas, elevando-o.
  • O Príncipe moderno: retomando Maquiavel, Gramsci vê no partido revolucionário o “Príncipe moderno” — o sujeito coletivo capaz de organizar uma vontade nacional-popular. Analisa ainda a “revolução passiva” e o “cesarismo” como formas de transformação sem participação das massas.

Influenciado por

  • Marx e Lênin — a teoria da revolução e do Estado
  • Benedetto Croce — o idealismo italiano, criticado e absorvido
  • Maquiavel — a política como ação e o “Príncipe”
  • Antonio Labriola — a tradição marxista italiana

Influenciou

  • O eurocomunismo e a Nova Esquerda
  • Stuart Hall e os Estudos Culturais — hegemonia e cultura popular
  • Ernesto Laclau e Chantal Mouffe — o pós-marxismo e a teoria da hegemonia
  • Os estudos subalternos (Gayatri Spivak, Ranajit Guha) — o conceito de subalterno

Obras

Cadernos do Cárcere (Quaderni del carcere, 1929–1935, póstumos); Cartas do Cárcere (Lettere dal carcere); os artigos de L’Ordine Nuovo (1919–1920).

Ver também

Marx, Louis Althusser, Georg Lukács