Distinção Type/Token — Distinção lógica e metafísica introduzida por Charles Sanders Peirce em “Prolegomena to an Apology for Pragmaticism” (The Monist, 1906), que separa duas maneiras de contar entidades. Quando se diz que a palavra “the” aparece dezenas de vezes numa página, “palavra” é usada em dois sentidos: o type é a palavra como categoria abstrata, a forma ou padrão único; os tokens são as ocorrências concretas e particulares dessa palavra, cada uma ocupando um lugar no espaço e no tempo e dotada de propriedades físicas (cor da tinta, tamanho). A sequência “gato gato” contém, assim, dois tokens mas um só type. A relação entre ambos é de instanciação, análoga — mas não idêntica — à relação entre universal e particular: um type existe na medida em que há, ou poderia haver, tokens que o realizam. Na filosofia da linguagem a distinção é onipresente: frases são types, proferimentos são tokens, e disso decorre a questão de se o significado pertence ao type ou ao token. Nelson Goodman estendeu a ideia às artes em Languages of Art (1968), tratando a obra musical como type e cada performance como token. Na filosofia da mente, ela estrutura o debate sobre o fisicalismo: a teoria da identidade type-type (Place, Smart) identifica cada tipo de estado mental a um tipo de estado neural, ao passo que a identidade token-token de Donald Davidson, em “Mental Events” (1970), identifica apenas ocorrências particulares e nega leis psicofísicas estritas — é o monismo anômalo. O problema da realizabilidade múltipla, levantado por Hilary Putnam, é a principal objeção à identidade type-type.
📚 Gostou do conteúdo? Compre nosso Guia Completo de Filosofia
e ajude a manter o site no ar.