Sublime (do latim sublimis — elevado, suspenso) — Categoria estética que designa a experiência de grandiosidade avassaladora, distinta da beleza pelo elemento de assombro, terror ou superação dos limites da percepção ordinária. O tratado antigo Peri Hypsous (Sobre o Sublime, atribuído ao Pseudo-Longino, de autoria incerta) já o concebia como qualidade do discurso capaz de “arrebatar” o ouvinte; redescoberto no séc. XVI (edição de Robortello, 1554), alimentou os debates setecentistas. Edmund Burke, em Uma Investigação Filosófica sobre a Origem de Nossas Ideias do Sublime e do Belo (1757), fixou a distinção decisiva: o belo produz amor e prazer, ligado ao pequeno, suave e delicado; o sublime produz terror deleitoso, ligado ao vasto, escuro e poderoso, e ativa o instinto de autoconservação quando o perigo é vivenciado a distância segura. Immanuel Kant, na Crítica da Faculdade do Juízo (1790), transformou o problema ao distinguir o sublime matemático (a magnitude que excede toda medida sensível — as pirâmides, a vastidão das estrelas enquanto quantidade absoluta) do sublime dinâmico (a potência da natureza — tempestades, vulcões, oceanos agitados). Para Kant, o sublime não está nos objetos, mas em nós: a inadequação da imaginação revela, por contraste, a superioridade da razão e a destinação moral do ser humano. Schiller desenvolveu essa ideia como afirmação da liberdade moral diante da coerção sensível, e o Romantismo fez de montanhas, ruínas e abismos ocasiões privilegiadas dessa autoconsciência. No séc. XX, Jean-François Lyotard retomou a categoria para a arte de vanguarda, que atestaria o irrepresentável pela própria ausência de apresentação adequada — paradigma estético de uma época descrente das metanarrativas.

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