Sophia (σοφία) — “Sabedoria”: no vocabulário filosófico grego, designa a forma mais elevada de conhecimento, voltada para as causas primeiras, os princípios e as verdades necessárias e imutáveis. O termo, de origem grega, designava originalmente a perícia ou destreza em um ofício — a habilidade do carpinteiro ou do escultor —, mas foi progressivamente elevado, sobretudo a partir dos pré-socráticos e de Sócrates, ao sentido de saber acerca do que há de mais fundamental na realidade. A análise clássica está em Aristóteles, que no Livro VI da Ética a Nicômaco distingue cinco virtudes intelectuais e situa a sophia no topo: ela é a união de nous (a intuição dos primeiros princípios) e epistēmē (o conhecimento demonstrativo), versando sobre o que é eterno e necessário. Por isso Aristóteles a considera superior à phronesis (sabedoria prática ou prudência), que delibera sobre o contingente, sobre aquilo que pode ser de outro modo e que orienta a ação humana concreta. A distinção é nítida: o sábio (sophos) contempla a verdade pela própria verdade, enquanto o prudente decide bem em situações particulares. A própria palavra filosofiaphilo-sophia, “amor à sabedoria” — guarda essa tensão: Sócrates recusava chamar-se sábio e dizia apenas amar e buscar a sophia, em contraste com os sofistas, que se proclamavam possuidores e mestres do saber, ensinando-o mediante pagamento. A sophia permanece, assim, o horizonte da vida teorética e contemplativa que a tradição grega elegeu como a mais alta realização humana.


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