Ser (Einai / Esse / Sein) — A questão mais fundamental da metafísica e objeto próprio da ontologia (do grego ón, “ente”, e lógos, “discurso”). Distingue-se entre ser — o fato de existir, aquilo pelo qual algo “é” — e ente, aquilo que existe. Leibniz formulou a pergunta decisiva: “Por que existe algo em vez de nada?”. Na Grécia, Parmênides inaugurou o tema ao sustentar que “o ser é; o não-ser não é”, concebendo o ser como uno, eterno, imóvel e indivisível, pois o pensamento e o ser coincidem. Aristóteles replicou que “o ser se diz de muitos modos” (pollakhôs legetai): as categorias — substância, qualidade, quantidade, relação e outras — articulam essas maneiras de ser, sendo a substância o sentido primeiro. Na escolástica, Tomás de Aquino distinguiu essência (o que uma coisa é) de existência (o fato de ser): em Deus elas coincidem, pois Ele é o próprio ato de ser (ipsum esse subsistens); nas criaturas são realmente distintas, e por isso elas recebem a existência. No século XX, Heidegger denunciou que a filosofia esqueceu a questão do ser (Seinsfrage) ao confundi-lo com os entes, ignorando a “diferença ontológica” entre o ser e aquilo que é. Um exemplo simples ilustra a distinção: posso enumerar todos os entes de uma sala — mesa, livro, ar —, mas nenhum deles me diz o que significa “ser”. Conceitos estreitamente ligados são a essência, a existência e o nada.


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