Rizoma (rhizome) — Conceito de Gilles Deleuze e Félix Guattari para um modelo de pensamento e de organização não hierárquico, feito de conexões múltiplas, em oposição à árvore. O termo vem do grego rhízōma (“raiz”, “massa de raízes”) e designa, em botânica, o caule subterrâneo e horizontal de plantas como o gengibre e a grama, que se propaga em qualquer ponto, sem eixo central. Foi apresentado na “Introdução: Rizoma” de Mil platôs (1980), segundo volume de Capitalismo e esquizofrenia (após O anti-Édipo, 1972); o texto havia sido publicado antes, separadamente, em 1976. Os autores enumeram princípios: conexão e heterogeneidade (qualquer ponto pode se conectar a qualquer outro), multiplicidade, ruptura assignificante, cartografia e decalcomania (o rizoma é um mapa, não um decalque). Contra o “pensamento arborescente”, de raiz, tronco e ramos, no qual a ordem vem do uno e de uma hierarquia (que os autores veem na lógica ocidental, na psicanálise e, em exemplo discutido por eles, na linguística de estruturas arbóreas), o rizoma é acentrado e sem começo nem fim, e sempre “no meio”. Está ligado ao tema deleuziano da imanência e da diferença (ver Deleuze: diferença, repetição, rizoma e imanência). O conceito passou a ser usado em estudos de cultura, educação e redes digitais, às vezes de modo metafórico e livre. Críticas: Alan Sokal e Jean Bricmont, em Imposturas intelectuais (1997), censuram o emprego impreciso de noções científicas por autores franceses, entre eles Deleuze e Guattari; outros veem no vocabulário do rizoma pouca precisão analítica ou dificuldade de aplicação a processos que, de fato, exigem hierarquias. Ver também dialética.


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