Ressentimento (ressentiment) — Afeto reativo de rancor e vingança reprimida que, em Friedrich Nietzsche, funda a moral dos fracos e a “revolta dos escravos na moral”. Nietzsche emprega a palavra francesa ressentiment (de ressentir, “sentir de novo”) em alemão, porque o alemão não dispõe de equivalente exato. O conceito é central na Genealogia da moral (1887): na Primeira Dissertação (§§7–11, em especial o §10), a revolta escrava na moral começa quando o próprio ressentimento se torna criador e dá origem a valores. Quem não pode reagir na ação compensa-se com uma vingança imaginária: nega o que é nobre e forte (“mau”) e declara “bom” aquilo que é fraqueza. Na Segunda Dissertação (§11), Nietzsche opõe-se à tese de Eugen Dühring de que a justiça nasceria do afeto reativo; na Terceira (§15), o sacerdote ascético muda a direção do ressentimento, voltando-o contra o próprio sofredor, sob a forma de culpa. Max Scheler retomou o conceito em O ressentimento na edificação das morais (ensaio de 1912, ampliado em 1915), mas sustentou, contra Nietzsche, que o amor cristão não nasce de ressentimento, e sim que a moral burguesa moderna o expressa; ver Max Scheler. Gilles Deleuze, em Nietzsche e a filosofia (1962), interpreta-o como triunfo das forças reativas. Os críticos objetam que a genealogia nietzschiana generaliza psicologicamente a origem de morais inteiras, sem evidência histórica suficiente. Relaciona-se com o niilismo e com o super-homem; ver o artigo Nietzsche: vontade de poder, eterno retorno e genealogia da moral.
Ressentimento
Afeto reativo de rancor e vingança reprimida que, em Nietzsche, funda a moral dos fracos e a 'revolta dos escravos na moral'…