Realismo (do latim escolástico realis, de res, “coisa”) — Tese de que certas entidades, propriedades ou fatos existem e são como são independentemente de nossas mentes, linguagens e crenças. Não é uma doutrina única, e sim uma família de posições, que se define sempre em relação a um domínio específico. Na Antiguidade, o realismo sobre os universais é associado a Platão, para quem as Formas existem separadamente das coisas sensíveis; Aristóteles sustentou uma versão moderada, em que os universais existem nas coisas. Na querela medieval dos universais, o realismo opôs-se ao nominalismo de Guilherme de Ockham. Hoje o termo designa teses em vários campos: realismo científico (as melhores teorias científicas descrevem de modo aproximadamente verdadeiro uma realidade inobservável), realismo moral (há fatos morais objetivos), realismo matemático (objetos e verdades matemáticas independem de nós) e realismo sobre o mundo externo, contraposto ao idealismo de Berkeley. Hilary Putnam defendeu primeiro um realismo metafísico e depois o criticou, propondo o “realismo interno” (anos 1970–1980). Kant, por sua vez, combinou realismo empírico e idealismo transcendental na Crítica da Razão Pura (1781). As posições contrárias costumam ser agrupadas sob o antirrealismo.
Ver também: Platão, Aristóteles, Hilary Putnam, Kant, Berkeley.