Pragmatismo — Do grego prâgma (ação, coisa feita, negócio). Tradição filosófica nascida nos Estados Unidos no fim do séc. XIX que avalia o sentido e a verdade de ideias, conceitos e teorias por suas consequências práticas, e não por uma suposta correspondência com uma realidade fixa. Charles Sanders Peirce formula a chamada “máxima pragmática” (How to Make Our Ideas Clear, 1878): o significado de um conceito esgota-se nos efeitos práticos concebíveis que atribuímos ao seu objeto — pensar que algo é “duro”, por exemplo, é prever que ele resistirá a ser riscado. William James populariza e radicaliza a posição em Pragmatism (1907): a verdade não é uma propriedade estática, mas algo que “acontece” a uma ideia na medida em que ela “funciona” (what works), conduzindo-nos com êxito ao longo da experiência. John Dewey desloca o foco para o método e desenvolve o instrumentalismo: o pensamento é um instrumento de resolução de problemas, e a investigação (inquiry) é o processo que transforma uma situação indeterminada e problemática numa situação determinada e resolvida, com forte impacto na sua filosofia da educação. O neopragmatismo de Richard Rorty (Philosophy and the Mirror of Nature, 1979) abandona a busca de fundamentos últimos e nega que a mente seja um “espelho da natureza”, redefinindo a filosofia como conversação entre vocabulários úteis. O pragmatismo aproxima-se assim do instrumentalismo e contrasta diretamente com a teoria da verdade como correspondência, central à epistemologia tradicional.
Pragmatismo
Do grego prâgma (ação, coisa feita, negócio). Tradição filosófica nascida nos Estados Unidos no fim do séc. XIX que avalia o sentido e a verdade de ideias…