Poiesis (ποίησις) — “fabricação”, “produção”, “criação”: o ato de fazer existir algo que antes não existia. O termo deriva do verbo grego poiein, “fazer”, “produzir”, e está na raiz da palavra “poesia”, já que o poeta era, originalmente, um “fazedor” de versos. Em sentido amplo, abrange qualquer atividade que conduz uma coisa do não-ser ao ser, como observa Platão no Banquete, ao definir a poiesis como toda causa que faz algo passar a existir. Em Aristóteles, o conceito ganha contornos técnicos: a poiesis é a atividade produtiva cujo fim (a obra) está fora do próprio agir — o arquiteto constrói casas, o sapateiro faz calçados, o médico restaura a saúde. Por isso ela se distingue da praxis, a ação que tem o fim em si mesma (agir bem, viver bem), e da theoria, a contemplação das verdades necessárias. A poiesis governa-se pela technē, o saber-fazer que conhece as causas e os meios adequados para produzir. No século XX, Heidegger retoma o termo e lhe dá centralidade: a poiesis originária é um Hervorbringen, um “trazer à presença”, uma forma de desvelamento (alḗtheia) pelo qual algo vem à luz e se manifesta. Nessa leitura, a obra de arte e o ofício artesanal preservam o sentido produtivo-revelador da poiesis, ao passo que a técnica moderna o degrada, reduzindo a natureza a mero recurso disponível. O conceito articula-se, assim, com praxis, technē e theoria.


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