Paradoxo (do grego para, contra, e doxa, opinião; literalmente, “contrário à opinião”) — Enunciado, argumento ou situação que, partindo de premissas aparentemente aceitáveis e mediante raciocínio aparentemente válido, conduz a uma conclusão contraditória, absurda ou autocontraditória. Longe de serem meros jogos, os paradoxos constituem um campo privilegiado de investigação porque revelam tensões ocultas nas intuições mais básicas sobre linguagem, verdade, referência e infinito; com frequência, dissolvê-los exige revisar um conceito que se julgava claro. W.V.O. Quine, em The Ways of Paradox (1966), distingue três tipos: os veridicais, cuja conclusão soa absurda mas é verdadeira; os falsidicais, em que um erro oculto invalida o raciocínio; e as antinomias, as mais graves, em que a argumentação parece igualmente válida tanto a favor da conclusão quanto de sua negação. O caso clássico de antinomia é o paradoxo do mentiroso (“esta proposição é falsa”), uma armadilha semântica gerada pela autorreferência: Alfred Tarski mostrou que sua solução rigorosa exige separar a linguagem-objeto da metalinguagem que fala sobre ela. Igualmente célebre é o paradoxo de Russell (1901) na teoria dos conjuntos — o conjunto de todos os conjuntos que não pertencem a si mesmos pertence a si mesmo? —, que abalou o programa logicista de Frege e levou Russell à teoria dos tipos. Já os paradoxos de Zenão de Eleia, como o de Aquiles e a tartaruga, alimentam debates sobre o infinito e a divisibilidade do espaço, enquanto o paradoxo sorites (do monte de areia) expõe a vaguidade dos predicados graduais. Conceitos vizinhos incluem a antinomia kantiana e a aporia, o impasse aberto pelo confronto de teses opostas.

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