Paradigma (do grego parádeigma, “modelo”, “exemplo”, de para- e deiknýnai, “mostrar”) — Modelo ou exemplo que serve de padrão. Em Platão, o termo designa o modelo eterno segundo o qual o artífice divino plasma o mundo (Timeu). Na filosofia da ciência, foi popularizado por Thomas Kuhn, em A Estrutura das Revoluções Científicas (1962). Para Kuhn, a “ciência normal” é a pesquisa praticada dentro de um paradigma: realizações científicas exemplares que, durante certo tempo, fornecem a uma comunidade problemas e soluções-modelo. Quando acumulam-se anomalias que o paradigma não resolve, instala-se uma crise e, eventualmente, uma revolução científica, em que um novo paradigma substitui o anterior, como na passagem da física aristotélica à newtoniana ou da newtoniana à relativística. Kuhn sustenta que paradigmas rivais são em alguma medida incomensuráveis, pois diferem em conceitos, padrões e problemas relevantes. Margaret Masterman (“The Nature of a Paradigm”, 1970) apontou numerosos usos distintos do termo na obra; no Posfácio de 1969, Kuhn passou a distinguir a “matriz disciplinar” dos “exemplares”. A noção foi criticada por Karl Popper, que defendia a crítica constante, e por Imre Lakatos, que propôs a noção de programas de pesquisa; Paul Feyerabend radicalizou a tese da incomensurabilidade. Fora da ciência, “paradigma” é usado de modo amplo, e nem sempre fiel a Kuhn, para designar um quadro de referência. Relaciona-se à epistemologia e ao debate sobre o relativismo.
Paradigma
Modelo ou exemplo que serve de padrão. Na filosofia da ciência, o termo foi popularizado por Thomas Kuhn, em A Estrutura das Revoluções Científicas (1962),…