Panteísmo (do grego pân, “tudo”, e theós, “deus”) — Doutrina segundo a qual Deus e o universo são idênticos, ou segundo a qual tudo o que existe é uma manifestação do divino, não havendo um Deus pessoal separado e transcendente ao mundo. O termo é moderno: a forma “panteísta” é associada ao irlandês John Toland (1705), possivelmente seu primeiro uso, embora as ideias que designa sejam muito mais antigas. Apontam-se afinidades nos estoicos, para os quais o logos divino permeia o cosmos, em Plotino e em Giordano Bruno, que concebe o universo infinito como expressão da divindade. A formulação mais influente é a de Spinoza, na Ética (1677), que identifica Deus à substância única e infinita, expressa na fórmula “Deus ou Natureza” (Deus sive Natura, IV, prefácio); intérpretes divergem, porém, sobre se o rótulo “panteísta” lhe convém, pois ele nega um Deus transcendente e pessoal mas sustenta que a natureza é o modo de expressão da substância. No fim do século XVIII, a “querela do panteísmo” (Pantheismusstreit) opôs Jacobi e Mendelssohn a propósito de Lessing e Spinoza, tornando o panteísmo tema central do pensamento alemão, com repercussões em Schelling, Hegel e Schleiermacher. Distingue-se do panenteísmo, termo de Karl Christian Friedrich Krause (1828), para o qual o mundo está em Deus, mas Deus o excede. Opõe-se ao teísmo, que afirma um Deus pessoal e transcendente, ao deísmo, e seus críticos o equipararam, por vezes, ao ateísmo. Ver Spinoza, Giordano Bruno, Schleiermacher, monismo e imanência e transcendência.
Panteísmo
Doutrina segundo a qual Deus e o universo são idênticos, ou segundo a qual tudo o que existe é uma manifestação do divino, não havendo um Deus…