Paideia (παιδεία) — Formação, educação e cultura: o processo pelo qual o ser humano e o cidadão são moldados segundo um ideal. A palavra deriva de pais (“criança”) e designava, a princípio, a criação e a instrução dos jovens; com o tempo passou a significar a cultura que torna alguém plenamente humano. Entre os séculos V e IV a.C., os sofistas, como Protágoras, apresentaram-se como mestres da excelência (arete) política e retórica, e Isócrates fez da formação pela palavra o centro de sua escola. Platão contrapôs a essa educação uma paideia filosófica: na República (VII, 518b–d), a educação não consiste em depositar conhecimento numa alma vazia, como quem põe visão em olhos cegos, mas em converter (periagōgē) toda a alma da sombra para a luz, como na alegoria da caverna. Aristóteles, na Política (livro VIII), sustenta que a educação deve ser objeto de cuidado público, pois forma os cidadãos para o regime da cidade. O estudo clássico moderno do tema é o de Werner Jaeger, Paideia: Die Formung des griechischen Menschen (3 vols., 1934–1947), que lê a história da cultura grega como história da formação do ser humano; a obra foi traduzida ao inglês por Gilbert Highet. A tradição romana verteu o ideal em humanitas, e a pedagogia humanista e moderna o reelaborou. Ver também arete, doxa, episteme e alma; os pensadores centrais são Platão e Aristóteles.
Paideia
Ideal grego de formação integral do ser humano e do cidadão, da educação dos sofistas à conversão da alma em Platão e à obra de Werner Jaeger.