Ontologia — Ramo da filosofia que estuda o ser enquanto ser (em grego, tò ón, “o ente”, e lógos, “discurso” ou “estudo”): investiga o que existe, quais são os modos de existência e quais as categorias fundamentais do real. Diferentemente das ciências particulares, que tratam de regiões determinadas do existente (os corpos, os números, os seres vivos), a ontologia pergunta pelo ser de tudo o que é, antes de qualquer divisão regional. Embora o termo só apareça na modernidade — registrado já em Jacob Lorhard (Ogdoas Scholastica, 1606) e difundido pelo Lexicon philosophicum de Goclenius (1613) —, a investigação que ele nomeia remonta à filosofia grega. Parmênides afirma que “o ser é e o não-ser não é”, e Aristóteles, na Metafísica, define uma ciência que estuda “o ente enquanto ente”, organizando o real por meio das categorias (substância, quantidade, qualidade, relação, etc.). No século XVIII, Christian Wolff fixa o nome e o programa da disciplina em sua Philosophia prima sive Ontologia (1730), elevando-a à condição de filosofia primeira. No século XX, Heidegger reabre a questão do ser (Seinsfrage), acusando a tradição de ter confundido o ser com os entes e proposto, em Ser e Tempo, uma ontologia fundamental que parte da análise da existência humana. A ontologia distingue-se assim da metafísica (com a qual em parte se sobrepõe) e relaciona-se de perto com a metafísica especial e com a teoria das categorias, que classifica os modos básicos segundo os quais algo pode ser dito existente.


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