Nous (νοῦς) — termo grego traduzido por “intelecto”, “razão” ou “mente”, que designa a faculdade capaz de apreender diretamente o inteligível, distinta da percepção sensível e do raciocínio discursivo. A palavra deriva do verbo noein (“perceber”, “pensar”), e seu sentido se desloca, ao longo da filosofia grega, do plano cosmológico ao psicológico e metafísico. Em Anaxágoras, o Nous é o princípio ordenador do cosmos — puro, ilimitado e separado da matéria —, que põe em movimento e organiza a mistura primordial dos elementos. Platão, no Fédon, narra como Sócrates se entusiasmou com essa doutrina e depois se decepcionou, por ver Anaxágoras recair em causas mecânicas em vez de explicar tudo segundo o melhor; para Platão, o nous é a faculdade superior da alma que contempla as Formas inteligíveis. Aristóteles, no De Anima (livro III), distingue o intelecto passivo do nous poietikos (intelecto agente), que torna inteligíveis em ato os objetos e é descrito como impassível, imisturado e separável do corpo. Plotino, nas Enéadas, eleva o Nous à segunda hipóstase da realidade, emanação do Uno e morada das Formas, intermediária entre o princípio supremo e a Alma. O conceito articula-se de perto com a noção de logos (razão como discurso e ordem) e com a psyché (alma), da qual o nous representa a parte mais elevada e divina.
Nous
Termo grego traduzido por intelecto, razão ou mente, que designa a faculdade capaz de apreender diretamente o inteligível, distinta da percepção…