Navalha de Ockham (Occam’s razor) — Princípio de parcimônia segundo o qual não se devem postular mais entidades ou explicações do que o necessário. Associa-se a Guilherme de Ockham (c. 1287–1347), mas a fórmula famosa, entia non sunt multiplicanda praeter necessitatem (“os entes não devem ser multiplicados além da necessidade”), não aparece literalmente em suas obras. Segundo a literatura histórica, a formulação em latim moderno remonta ao irlandês John Punch, em seu comentário às obras de Duns Escoto (1639), que a apresenta como um axioma corrente entre os escolásticos; o nome “navalha” é ainda posterior ao próprio Ockham. O que se encontra em Ockham são formulações próximas, como numquam ponenda est pluralitas sine necessitate (“nunca se deve postular pluralidade sem necessidade”), citada pela literatura secundária a partir de seu comentário às Sentenças de Pedro Lombardo. A ideia, porém, é antiga e tem precedentes em Aristóteles e na tradição escolástica. Em Ockham, o princípio opera em seu nominalismo: como bastam indivíduos singulares e os signos que os designam, seria supérfluo postular universais como entidades reais, preconizadas pelos realistas, entre eles Duns Escoto. Na ciência moderna, a parcimônia é um critério de escolha entre hipóteses (por exemplo, as regras de raciocínio de Newton nos Principia, 1687) e figura em debates sobre simplicidade e inferência à melhor explicação. Observe-se que é uma máxima metodológica, não uma lei: a hipótese mais simples não é por isso necessariamente verdadeira, e há controvérsia sobre o que conta como “simples”, se menos entidades ou menos tipos de entidades.
Ver também: Duns Escoto, Aristóteles, Metafísica.