Mundos possíveis (possible worlds) — Maneiras completas e consistentes pelas quais o mundo poderia ter sido, usadas para analisar noções modais como possibilidade, necessidade e contingência. Uma proposição é possível se verdadeira em ao menos um mundo possível, necessária se verdadeira em todos, e contingente se verdadeira em alguns e falsa em outros. A ideia tem antecedentes em Leibniz, que na Teodiceia (1710) sustenta que Deus, entre infinitos mundos possíveis, criou o melhor, expressão que se tornou célebre como “o melhor dos mundos possíveis”. No século XX, a semântica de mundos possíveis ganhou rigor formal com os trabalhos de Saul Kripke sobre lógica modal nos anos 1959–1963, e foi aplicada à filosofia da linguagem e à metafísica em Naming and Necessity (O nomear e a necessidade, conferências de 1970, livro de 1980), onde Kripke introduz a noção de designador rígido: um termo que designa o mesmo objeto em todos os mundos em que este existe. Há debate sobre o estatuto dos mundos. Para David Lewis (On the Plurality of Worlds, 1986), o realismo modal afirma que os outros mundos são tão reais quanto o nosso, embora não conectados espaço-temporalmente a ele. Kripke prefere tratar os mundos como situações contrafactuais estipuladas, não como lugares a descobrir. Alvin Plantinga (The Nature of Necessity, 1974) defende um atualismo, segundo o qual mundos são entidades abstratas existentes no mundo atual, como estados de coisas máximos. Questões abertas incluem a identidade transmundana e o problema da contingência.
Ver também: Leibniz, Saul Kripke, David Lewis.