Mimesis (μίμησις) — termo grego que significa “imitação” ou “representação”, derivado do verbo mimeisthai (imitar), e que se torna um dos conceitos centrais da estética e da teoria da arte. Em Platão, sobretudo no livro X da República, a mimesis é vista com desconfiança: o mundo sensível já é cópia das Ideias, de modo que a pintura ou a poesia, ao imitarem os objetos sensíveis, ficam afastadas da verdade por mais um grau — daí a célebre tese de que a arte está “três graus” distante da realidade. No livro III, Platão também distingue a mimesis (em que o poeta fala na voz das personagens) da diegese (narração na própria voz). Aristóteles, na Poética, reabilita o conceito: imitar é natural ao homem e fonte de aprendizado e prazer, e a tragédia é a mimesis de uma ação séria e completa, organizada num enredo (mythos) que suscita compaixão e temor e culmina na katharsis dessas emoções. Um exemplo claro é a peça trágica que, ao representar o sofrimento de Édipo, não copia um indivíduo real, mas figura o universal — aquilo que poderia acontecer segundo a verossimilhança. Na estética moderna, a mimesis deixa de ser mero “espelho da natureza” e cede espaço à expressão da subjetividade, marcando a passagem do classicismo ao romantismo. O conceito articula-se, assim, com noções vizinhas como a katharsis, a poiesis (o fazer produtivo) e a própria diegese.


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