Materialismo — Posição metafísica segundo a qual a realidade é fundamentalmente material: tudo o que existe é matéria ou depende dela, e não há substâncias imateriais — como almas, espíritos ou mentes incorpóreas — que subsistam por si mesmas. O termo deriva do latim materia, e a tese opõe-se diretamente ao idealismo (que faz do espírito ou da ideia o real primário) e ao dualismo (que admite duas substâncias distintas). Suas raízes remontam ao atomismo grego de Leucipo e Demócrito, que sustentavam que tudo se compõe de átomos e vazio; essa linhagem prolonga-se em Epicuro e no poema de Lucrécio, De rerum natura. Na modernidade, autores como Hobbes e os materialistas franceses do Iluminismo (La Mettrie, d’Holbach) reduziram os fenômenos, inclusive o pensamento, a corpos em movimento. A versão mais influente no plano histórico-social é o materialismo histórico de Marx, segundo o qual as condições materiais de produção determinam as formas de consciência e as superestruturas jurídicas, políticas e culturais. Já na filosofia da mente contemporânea, o materialismo reaparece como fisicalismo: o materialismo reducionista afirma que estados mentais são idênticos a estados cerebrais, enquanto o materialismo eliminativista (Paul e Patricia Churchland) sustenta que noções do senso comum como “crença” ou “desejo” não designam nada real e serão substituídas pela neurociência. Um exemplo claro da tese é considerar a dor não como evento de uma alma, mas como um padrão de atividade neural. O materialismo dialoga assim com o naturalismo e o fisicalismo, distinguindo-se deles pelo peso que atribui à matéria como princípio último do real.


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