Mais-valia (Mehrwert; também “mais-valor”) — Conceito central da crítica da economia política de Karl Marx: o valor produzido pelo trabalho além do valor da força de trabalho, apropriado pelo capitalista. Em O Capital, Livro I (1867), Marx distingue o trabalho da força de trabalho (Arbeitskraft), a mercadoria que o operário vende. Seu valor equivale ao das mercadorias necessárias à reprodução do trabalhador; mas, em uso, ela produz mais valor do que custa. A diferença é a mais-valia, e a razão entre ela e o capital variável (salários) é a taxa de mais-valia, ou de exploração. A exposição está nas seções III a V do Livro I (cap. 5–16 na edição alemã, 7–18 na tradução inglesa; a numeração varia entre edições). A mais-valia absoluta resulta do prolongamento da jornada; a relativa, da redução do tempo de trabalho necessário por meio do aumento da produtividade. Marx a apresenta como a chave da exploração no capitalismo, ocultada porque a troca salarial aparece como equivalente. Antecedentes: Adam Smith e David Ricardo formularam a teoria do valor-trabalho, mas, segundo Marx, não distinguiram o lucro da mais-valia (Teorias da mais-valia, manuscritos de 1861–1863). A crítica mais influente veio de Eugen von Böhm-Bawerk, em Zum Abschluss des Marxschen Systems (1896), que, partindo da teoria marginalista da utilidade, apontou contradição entre o Livro I (valores) e o Livro III (preços de produção), publicado por Engels em 1894 — o “problema da transformação”. Marxistas como Hilferding responderam; Bortkiewicz (1906–1907) propôs solução matemática; economistas de tradição sraffiana questionaram a necessidade da categoria de valor. Ver também o fetichismo da mercadoria, a alienação e o artigo Marx: materialismo histórico, mais-valia e fetichismo da mercadoria.
Mais-valia
Conceito central da crítica da economia política de Marx: o valor produzido pelo trabalho além do valor da força de trabalho, apropriado pelo capitalista…