Maiêutica (do grego maieutikē technē, μαιευτική τέχνη — “arte da parteira”) — Método filosófico associado a Sócrates (469–399 a.C.) e descrito por Platão em vários diálogos, com destaque para o Teeteto. A analogia é com a parturição: assim como a parteira não gera a criança, mas auxilia o nascimento, o filósofo não transmite conhecimento ao interlocutor, mas o ajuda a extrair de si mesmo o saber que já possui em estado latente. Sócrates, cuja mãe Fenarete era parteira, dizia praticar a mesma arte, porém com partos de almas e não de corpos. O método se desdobra em dois momentos. O primeiro é a ironia (eironeia): Sócrates simula ignorância e encoraja o interlocutor a expor suas opiniões; o exame dialético desvela então as contradições dessas posições, conduzindo-o à aporia, estado de perplexidade e reconhecimento da própria ignorância — momento destrutivo e purgador. O segundo é o parto propriamente dito: a emergência, pelo esforço racional conjunto, de uma compreensão mais rigorosa. No Mênon, Platão vincula a maiêutica à anamnese (reminiscência): aprender não seria adquirir algo externo, mas recordar o que a alma já conhecia. Assim, a maiêutica se distingue da retórica sofística: não busca persuadir nem vender doutrina pronta, mas orientar a reflexão do próprio interlocutor, supondo um filósofo que assume a postura de não-saber. O problema socrático — a dificuldade de reconstruir o Sócrates histórico a partir dos diálogos — torna incerto quanto dessa doutrina pertence ao Sócrates real ou ao personagem de Platão. Sua influência é extensa: ecoa na hermenêutica de Gadamer e na pedagogia dialógica de Paulo Freire.
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