Má-fé — Conceito central do existencialismo sartriano (mauvaise foi). Atitude pela qual a consciência mente a si mesma, fugindo da angústia da liberdade ao fingir-se coisa determinada. Em O Ser e o Nada (1943), Sartre distingue o para-si (consciência, liberdade, nada) do em-si (ser maciço, pleno, sem fissura). A má-fé consiste em o para-si tratar-se como em-si — negar sua liberdade radical. Exemplos clássicos de Sartre: o garçom que desempenha seu papel com rigidez excessiva, como se fosse garçom da mesma forma que uma pedra é pedra; a mulher que ignora a mão do sedutor sobre a sua, dissociando corpo e consciência. A má-fé não é simples mentira (que supõe enganar outrem), pois aqui o enganador e o enganado são a mesma consciência — paradoxo possível porque a consciência é estruturalmente cindida (é o que não é e não é o que é). Distingue-se também do inconsciente freudiano: para Sartre, não há instância psíquica oculta — a consciência sabe que foge, e essa fuga é a má-fé. A contrapartida positiva é a autenticidade — assumir a liberdade e a responsabilidade sem subterfúgios.
Má-fé
Conceito central do existencialismo sartriano (mauvaise foi). Atitude pela qual a consciência mente a si mesma, fugindo da angústia da liberdade ao...