Livre-arbítrio — Do latim liberum arbitrium. Capacidade atribuída ao agente de escolher e agir de modo não inteiramente determinado por causas antecedentes. O problema do livre-arbítrio é um dos mais persistentes da filosofia, entrelaçando metafísica, ética e teologia. Agostinho formula a questão no contexto cristão: se Deus é onisciente e onipotente, como o homem pode ser livre e responsável pelo pecado? Sua solução — o livre-arbítrio como dom divino corrompido pela Queda — será retomada e radicalizada na disputa Lutero-Erasmo. Na modernidade, Kant distingue liberdade transcendental (espontaneidade da razão no plano nouménico) de liberdade prática (autonomia da vontade sob a lei moral). Schopenhauer nega o livre-arbítrio empírico: o caráter é imutável e os motivos determinam necessariamente a ação — só a vontade como coisa-em-si é livre. No debate analítico contemporâneo, Harry Frankfurt propõe que a liberdade consiste na capacidade de endossar reflexivamente os próprios desejos (desejos de segunda ordem), independentemente do determinismo causal.


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