Liberdade — Conceito central na ética, na política e na metafísica, designa a capacidade de um agente determinar a si mesmo, agindo a partir de sua própria vontade e não por coerção externa ou necessidade cega. O problema filosófico maior é a relação entre liberdade e determinismo: se tudo o que ocorre é causalmente necessário, em que sentido podemos dizer que escolhemos? Para os estoicos, a liberdade é interna — livre é quem governa as próprias paixões pela razão e aceita o que não depende de si, distinção que reaparece na noção de autonomia. Kant aprofunda essa ideia: a liberdade transcendental é a capacidade de agir segundo a lei moral que a razão dá a si mesma, independente do determinismo natural, fundamento sem o qual o dever moral seria impossível. Para Sartre, em O Ser e o Nada, o ser humano “está condenado a ser livre”: não pode deixar de escolher, pois mesmo a recusa de escolher já é uma escolha pela qual responde. Na filosofia política, Isaiah Berlin, em Dois Conceitos de Liberdade, distingue a liberdade negativa — ausência de obstáculos e coerção, o espaço em que o indivíduo age sem interferência — da liberdade positiva — capacidade de autodeterminação e autorrealização, o poder de ser senhor de si. Um exemplo concreto: ter o direito legal de viajar (liberdade negativa) difere de ter os meios efetivos para fazê-lo (liberdade positiva). Conceitos estreitamente ligados são o livre-arbítrio e a responsabilidade, pois só faz sentido atribuir mérito ou culpa a quem poderia ter agido de outro modo.


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