Justificação Epistêmica — Na epistemologia, a justificação é a propriedade que transforma uma mera crença verdadeira em conhecimento, ou ao menos numa crença epistemicamente responsável. A análise clássica do conhecimento como “crença verdadeira justificada” (justified true belief, JTB) remonta a Platão (Teeteto) e foi canônica até Edmund Gettier mostrar, num breve e célebre artigo de 1963, que ela é insuficiente: há casos em que um agente tem crença verdadeira justificada sem ter conhecimento (os chamados “casos Gettier”). O debate sobre a natureza da justificação organiza-se em torno de três teorias rivais. O fundacionismo atribui à justificação uma estrutura hierárquica: existem crenças básicas, justificadas sem depender de outras, sobre as quais se apoiam as demais por inferência — o fundacionismo clássico de Descartes as localiza em verdades indubitáveis (o cogito), enquanto o fundacionismo moderado de Roderick Chisholm admite crenças básicas falíveis. O coerentismo nega crenças básicas e sustenta que toda crença se justifica por sua coerência com o sistema total, posição defendida por Laurence BonJour; seu problema clássico é que um sistema pode ser internamente coerente e, ainda assim, falso. O confiabilismo afirma que uma crença é justificada se for produzida por um processo confiável de formação de crenças, isto é, que regularmente gera verdades — tese de Alvin Goldman em “What Is Justified Belief?” (1979). Esse contraste alimenta o eixo mais profundo do debate: internalismo versus externalismo. O internalista (BonJour, Chisholm) exige que os fatores justificadores sejam internamente acessíveis ao sujeito; o externalista (Goldman) admite que fatores externos, como a confiabilidade causal do processo, justifiquem a crença mesmo sem acesso do sujeito. No fundo, opõem-se a responsabilidade epistêmica subjetiva e a conexão objetiva com a verdade.
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