Hybris (ὕβρις) — Desmedida, insolência arrogante: a conduta de quem excede o limite que lhe cabe, ultrajando a honra de outrem ou desafiando a ordem que condiciona a vida humana. Na cultura grega, a hybris é o oposto da moderação (sōphrosynē) e costuma ser seguida pela retribuição (nemesis). Em Atenas, o ultraje violento era inclusive objeto de ação judicial (graphē hybreōs). Na Retórica (II, 2, 1378b), Aristóteles a trata no estudo da ira, como uma das formas de desprezo (oligōria): é causar dano ou vergonha a alguém não para obter vantagem, mas pelo prazer de afirmar a própria superioridade. A leitura clássica de Nick Fisher, em Hybris (1992), enfatiza a hybris como violação da honra; estudos posteriores, como os reunidos em Hubris: Ancient and Modern (Cairns e outros), destacam também o componente disposicional de pensar grande demais de si mesmo. Na tragédia, a hybris aparece como pecado do poderoso: nos Persas (472 a.C.), de Ésquilo, o fracasso de Xerxes é apresentado como consequência da desmedida; Sófocles explora a soberba do poder em Édipo Rei. Em sentido moral e político, a hybris foi tida como a raiz da injustiça e do declínio das cidades. A noção atravessa a filosofia grega como advertência contra a ausência de limite (metron), articulando-se à justiça, à arete e à ordem do kosmos; ver também pathos e Aristóteles.


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