Gestell (também grafado Ge-stell) — Termo de Martin Heidegger para a essência da técnica moderna: o modo de desvelamento que requisita a natureza e o homem como reserva de recursos disponíveis. Em alemão corrente, Gestell é “armação”, “estante”, “suporte”; Heidegger o reconstrói a partir de stellen (“pôr”, “dispor”) com o prefixo coletivo Ge- (como em Gebirge, “cordilheira”), para nomear o conjunto dos modos de “pôr” característicos da época técnica. A palavra aparece nas conferências de Bremen de 1949 (“A armação”, em Einblick in das was ist, publicadas em 1994) e em “A questão da técnica” (conferência de 1953, publicada em Vorträge und Aufsätze, 1954). Para ele, a essência da técnica não é nada técnico: é um destino do desvelamento no qual tudo surge como Bestand, “fundo de reserva” ou “estoque” a ser encomendado e explorado — como o Reno, convertido em fornecedor de energia na usina hidrelétrica, ao contrário da antiga ponte de madeira. O homem também é por ela requisitado, e vê-se em risco de entender-se apenas como recurso. Heidegger vê nisso o maior perigo, que obstrui outras formas de verdade, mas cita Hölderlin (“onde há perigo, cresce também o que salva”) para indicar uma possível viragem (Kehre), da qual a arte seria via. As traduções divergem; em português circulam, entre outras, “armação” e “com-posição”, e em inglês “Enframing” (William Lovitt, 1977). Críticos como Andrew Feenberg e Don Ihde contestam o caráter unitário e essencialista atribuído à técnica, e Jacques Ellul oferece análise paralela e independente. Ver Dasein e o artigo Filosofia da tecnologia: Heidegger, Ellul e Mumford; ver também Andrew Feenberg, Don Ihde e Jacques Ellul.


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