Geist — Palavra alemã que reúne os sentidos de “espírito” e “mente”, tornada conceito técnico central na filosofia de Georg Wilhelm Friedrich Hegel. O Geist não designa a mente individual nem uma substância imaterial isolada, mas o Espírito universal que se reconhece a si mesmo no mundo: uma racionalidade que se desenvolve dialeticamente através da natureza, da história e das instituições humanas até alcançar o pleno autoconhecimento, que Hegel chama de saber absoluto. A obra que consagra o termo é a Fenomenologia do Espírito (1807), descrita como uma espécie de itinerário da consciência desde a percepção mais imediata até esse saber. Na Enciclopédia das Ciências Filosóficas, Hegel organiza o conceito em três momentos: o espírito subjetivo (a alma e a consciência individual), o espírito objetivo (o direito, a moralidade e o Estado, ou seja, o espírito que se exterioriza em instituições) e o espírito absoluto (a arte, a religião e a filosofia, em que o Espírito retorna a si). Um exemplo concreto dessa ideia é o Volksgeist, o “espírito de um povo” que se expressa em suas leis, sua arte e seus costumes. Marx herda a categoria mas a inverte materialmente: para ele, o “espírito” de uma época não se determina por si mesmo, mas é condicionado pelas relações materiais de produção. O Geist hegeliano está assim intimamente ligado à dialética e ao conceito de Aufhebung (superação que conserva e eleva), motores do seu desdobramento.
Geist
Palavra alemã que reúne os sentidos de espírito e mente, tornada conceito técnico central na filosofia de Georg Wilhelm Friedrich Hegel. O Geist…